e X a t o a c i d e n t e
Tony Monti lê, escreve e apaga
2007

Capa de o menino da rosa Capa de O Mentiroso








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29.12.07


os amantes (1)
Quando entraram, a hipertrofia dos músculos avisava dos perigos que um seria para o outro. Para o público, o combate entre dois animais poderosos. Não escutavam a multidão gritando. Matavam-se aos poucos. Horas depois, estavam tão cansados e machucados que alguém que descesse da platéia nocautearia um e outro com golpes amadores. Continuaram ainda que não pudessem sequer se equilibrar. Os socos e chutes pareciam simulações em câmera lenta de uma dança. Lutavam sem forças, como dois amantes insistentes para quem qualquer despedida, até mesmo dormir, parece insuportável.


27.12.07


agradecimento
ao nei duclós pelas palavras e lembrança d'o menino da rosa em sua lista de fechamento de 2007.


25.12.07


ansiedade
apaguei de novo


24.12.07


apaguei


21.12.07


1. todo mundo que pediu já recebeu o pacotinho do menino pelo correio?
2. vou dar um tempo ali, acho que volto em janeiro.
3. fim de ano estranho, tudo estranhamente bem.


20.12.07


fim de ano é uma merda,
mas esse ano acho que estou mais ansioso,
ou é que me esqueci dos últimos anos.


19.12.07


bolsa
Há alguns dias recebi a feliz notícia de que fui selecionado para uma das bolsas de criação literária do PAC (governo do estado). Assim, sem reclamar, deixo o romance de lado por um tempo e volto aos contos para finalizar o livro deste projeto. E, em mais ou menos um ano, tem livro novo. De novo.


O mesmo sentimento de natal de sempre. Acho que esse ano o texto seria um tiquinho diferente, mas a preguiça é um tantinho maior e resolvi reaproveitar o texto que já é o mesmo desde 2004 (acho), sem emendas.

"Não gosto de Natal. Tudo meio triste, tudo muito parado. Não gosto dessas grandes paradas, tudo pára, a padaria fecha, as pessoas se fecham. Não gosto também de feriado, nem de fim de semana, nem dessas horas em que todo mundo pára junto. À força, de um jeito só. Se parassem juntos mesmo, mas param juntos separados. Seria religioso pararmos juntos. Sou muito religioso. Cada um compra suas coisinhas numa loja. Lojas diferentes, presentes diferentes, sentimentos diferentes. E uns indiferentes. Eu não gosto.

Gosto só porque alguns amigos gostam. De fim de semana, às vezes eu gosto muito. Eu queria poder ir para a Avenida Paulista, andar na calçada, tomar uma cerveja, encontrar os amigos e não ver as luzinhas piscando. Natal é triste porque é a evidência da solidão para os que são sós. Sem festa, sem árvores, sem presentes, sem musiquinhas, sem presépio. A não ser que você queira.

Feliz Natal, ainda assim, se você quer um. Seja feliz. Se você fica feliz em ouvir Feliz Natal : Feliz Natal. Porque se você quer, não tenho algo definitivamente contra os desejos de boas festas. Feliz Natal, e que é que isso vai mudar? E se você não quiser meus votos, fico quietinho e desejo as felicidades só, e te deixo saber que também eu não gosto de Natal. Não gostaremos, juntos, de Natal.

E tem mais, meus votos de felicidades, falsos assim, de que é que valem? Se eu desejar, você vai ficar feliz numa mágica? Eu desejo aqui, você fica feliz aí. É assim que quero, meu amigo. Na base da mágica. Não acredito em Natal mas acredito em mágica. E , mesmo sem mágica, porque gosto de você, gostaria que você soubesse que, se houvesse mágica, desejaria a você e produziria num truque a sua felicidade num Natal em que não acredito. Se saber disso vale alguma coisa, meu amigo, Feliz Natal. Não pelo Natal. Pelo feliz e por você."


18.12.07


Sobre o absurdo processo de seleção da Bolsa Funarte de Incentivo à Criação Literária

Triste. Não acho razoável ficar quieto sobre isso.
(observação desnecessária: não participei deste edital)


"Bolsa para quem?
Ana Beatriz Guerra, no blog paralelos

Saiu no Diário Oficial de ontem e foi divulgado com pouco estardalhaço o resultado da cobiçada Bolsa Funarte de Incentivo à Criação Literária. Para finalizar em seis meses o projeto de um livro, os contemplados faturarão R$ 30 mil, descontados os impostos devidos, após assinar contrato com o órgão. Até aí, nada. Sem querer desmerecer aqueles que têm mérito, como, por exemplo, a colega de blog Carol Bensimon, não pude deixar de notar na lista o nome Luiz Arthur Toríbio que, até abril do ano passado, era chefe da assessoria de comunicação social do Minc.

Segundo o artigo 2.2 do edital, ficava vetada a participação de membros da comissão de seleção e seus familiares, de funcionários da Funarte, do Minc, das instituições veiculadas e, ainda, de prestadores de serviços terceirizados. Um ex-funcionário, obviamente, não se aplica ao caso e não só pode como tem todo o direito de participar. Fica no ar, porém, a velha questão dos critérios obscuros de seleção em concursos públicos como este.

Imaginem vocês como podem ser escolhidos dois candidatos por região num prazo de dois dias? Sim, porque as inscrições terminaram às 18h da segunda-feira 10 de dezembro, sendo que não seriam aceitos projetos que chegassem pelos Correios depois do prazo. O resultado, liberado na quarta-feira 12 de dezembro, foi publicado na quinta última. Vejam vocês que o meu número de inscrição era 269 (porco no jogo do bicho) na manhã do dia 10. Enquanto eu entregava minhas pastas, chegava à Funarte uma pilha de Sedex. Digamos que, ao fim do dia, como todo bom brasileiro só cumpre prazos nos 45 do segundo tempo, tivéssemos quinhentos inscritos. Como, em sã consciência, um corpo de jurados poderia avaliar friamente quinhentos projetos em dois dias? Como pôde, aliás? Aí reside o mistério que nem centro de mesa resolve.

Esperar que editais assim nutram as necessidades do nosso mercado literário raquítico é sonhar alto demais. Será que incentivos do governo são mesmo o caminho a seguir para exercer em paz o ofício da escrita? O debate do mecenato é tão eterno quanto a arte e talvez permaneça sem conclusão enquanto predominar uma mentalidade que não leva a literatura muito a sério, que não considera que ela sirva para alguma coisa.

Não dizem que existem hoje no Brasil mais autores do que leitores? O disparate entre o que é escrito e o que se quer (ou não) ler é grande. Enquanto a literatura existir para satisfazer egos, incentivos demagógicos continuarão se fazendo necessários, sem que questões relevantes sejam trazidas à tona. Um mero "calem suas bocas".

Confesso que sonhei com a boquinha, a conta bancária mais polpuda para sentar e, finalmente, terminar meu romance. É, eu sou ridícula. E não somos todos? Inveja. Dor-de-cotovelo, vocês vão dizer. Talvez. Mas, diante de um cenário que não premia exclusivamente talento, que premia sim a arbitrariedade, o fruir estético, o ócio criativo, o exercício pelo exercício não existem. Literatura de mercado também precisa apresentar resultados, cumprir padrões, encerrar-se num formato, quase numa plataforma de governo. Afinal, como justificar o uso de recursos públicos?

Soluções que agradem a todos são impossíveis. As que desagradam, no entanto, parecem ser mais democraticamente distribuídas. Novos editais virão e, quem sabe, novas injustiças."


fff
sobrevivo ainda
notícias logo
etc e tal
como é que se escreve um blog enquanto se escreve um livro
e se escreve outro livro
e se escreve um doutorado
e, acredite, teria mais o que dizer sobre o que não é texto
?
reli textos de 2004.
a vida passava mais rápido então, não?
ou eu era mais cara-de-pau.
não se preocupe (digo para mim),
logo há o que contar.


12.12.07


isto é um blog
tudo mais ou menos na mesma.
o menino da rosa chegando às lojas.

tenho livros comigo, envio pelo correio para quem quiser ter um exemplar dedicado e assinado.
dezessete reais, postagem por minha conta.

continuo recebendo e-mails legais dos leitores. interessante como o tipo de reação que o livro provoca é, em geral, de carinho. um colega da usp mandou um e-mail para minha mãe parabenizando-a pelo filho. suponho que, depois desse livro aparentemente saudável (o que é isso?), posso voltar com crédito aos textos em que o bizarro, a violência mais crua e a loucura predominam.

queria colocar feeds neste blog. alguém sabe como fazer isso? (uma limitação é que os blogs .blogger.com.br não te facilitam a vida neste assunto)


9.12.07


Uma parte dos contos d'o menino da rosa foi publicada neste blog no passado. Circularam antes de o livro existir e deixaram rastros na internet. Há uma entrevista de algum tempo atrás, no Portal Literal, em que os contos são citados. Para o livro, pequeninas mudanças.
Em 2006, houve também uma matéria na revista EntreLivros, que publica seu último número agora em dezembro.
Na entrevista do Portal há referência a um romance. O romance está sendo finalmente escrito, mas é outro. Escrever um romance é uma aventura muito diferente. Se se escreve um romance tradicional, pouco fragmentado, com linhas causais e temporais bem definidas, o processo da escrita torna-se um monstruoso e detalhado trabalho de organização e coerência. Se a escolha é um romance mais fragmentado, é preciso caminhar por longo tempo em área arriscada. Arrisca-se perder o sentido. Em troca pode-se produzir sutilezas que a coerência imediata não permite. Não é fácil suportar um trabalho que vai não se sabe bem para onde e que demora mais que dias ou semanas, como no caso dos contos.


7.12.07


nataltaí
o menino da rosa começa agora a chegar às lojas.
na livraria cultura da internet, já chegou.
e, como já disse, tenho alguns exemplares aqui e envio pelo correio para quem quiser ter um exemplar dedicado e assinado.
dezessete reais, postagem por minha conta.


4.12.07


podcast de literatura
isso aqui pode ser interessante.


2.12.07


menino ainda
mais mensagens,
e-mail legal do Nelson de Oliveira,

quero dizer também que o livro demora ainda uns dias para chegar às lojas. É como se ainda não estivesse lançado. Mas logo estará.
eu tenho exemplares comigo. Para quem quiser, podemos inventar um método qualquer de pagamento e envio (depósito em conta, correio, chope aqui na Vila, cinema, passeio no parque). Combinamos por e-mail? eusoumenino(arroba)gmail.com








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