O Mentiroso foi escolhido como o melhor texto de 2002 pelo júri do Projeto Nascente - USP.
Tony Monti é paulista. Lê e escreve. Contrariando as previsões mais otimistas, terá trinta anos antes do fim da década. Quando você telefonar para sua casa, ele estará dormindo. Em seus sonhos, ainda mora na casa onde passou a infância. Não pretende mudar, por enquanto.
convite Sábado, dia 24, estarei a partir das 18:00 na Casa das Rosas lendo textos meus, textos de outros autores e conversando com o Claudinei Vieira (onde andará Claudinei Vieira?).
Casa das Rosas,
Avenida Paulista, 37
13.2.07
Ok ok, eu tinha entendido que os esqueletinhos eram de verdade. Mas não é estranho que um rapaz que gosta tanto de ficção como eu tenha se comovido com uma foto que, se fosse ficção, seria boba? Fiquei pensando nisso. Verdade pode não ser um conceito absoluto. Essa é daquelas situações em que verdade e mentira fazem alguma diferença.
batente - cinema
2
M.A.S.H., Altman - porque Othello não estava disponível, M.A.S.H. Uma beleza, filme (de guerra) em que só há tiros no jogo de futebol, marcando o início e o fim dos tempos. Donald Sutherland é bom demais. Já escutei que é o melhor filme de guerra já feito, talvez justamente por não ser um filme de guerra.
O poderoso chefão 1,2 e 3, Coppola - A biografia do Coppola escrita por Michael Schumacher (um homônimo) diz que Coppola andava em uma Limosine, em 1972, com William Friedkin (diretor de Operação França, 1971). Por acaso, passaram ao lado de outro carrão onde estava Peter Bogdanovich (diretor de A última sessão de cinema, 1971). Para se provocarem, no auge de suas recentes brilhantes carreiras, todos perto dos 30 anos, Friedkin e Bogdanovich diziam um ao outro a quantidade de indicações para o Oscar que seus filmes tiveram. Coppola teve ainda mais indicações no ano seguinte (não poderia antecipar o fato aos colegas), nesse ano sabia apenas a bilhereia do filme: 150 milhões de dólares e disse aos outros dois. Acho que isso diz alguma coisa sobre o (bom) cinema americano.
Quando criança, às vezes eu pensava que o jeito que meus tios Monti falavam era uma imitação caricata de italianos estranhos. Revendo a série d´O poderoso Chefão me dei conta, agora, que talvez eles não imitassem coisa alguma, que eles eram (ainda o são) mesmo exóticos.
8.2.07
faits divers
Sempre polêmicas, mais uma lista, TOP 50 gols mais bonitos da história. Um atrás do outro, muitos minutos só de gols. Nenhum do Pelé. Gosto demais do gol do Éder e do segundo do Ronaldo. Amanhã mudo de opinião.
É impressão minha ou o narrador, o ritmo e a música de Barry Lyndon ressoam em Dogville?
Lindo, mas só porque é verdade. Se amanhã aparecerem dizendo que é montagem, vou achar tudo muito muito bobo.
7.2.07
batente - cinema
1
Lolita, Kubrick - Peter Sellers e mais uns minutos
Doutor Fantástico, Kubrick- um bom filme com o bom Peter Sellers
Cidadão Kane, Welles - bom filme, um dos 10 melhores do Orson Welles
O Processo, Welles - na infância e adolescência, minhas fontes dos livros clássicos da literatura universal eram estantes que não estavam na minha casa. Emprestei O Processo de um amigo que talvez leia esse blog. O livro era da mãe dele. Agora é meu. Não me desfiz dele (não devolvi). Se eu pensar em uma meia dúzia de livros que mudaram uns modos como eu penso/sinto, citaria esse. Ainda não tinha assistido ao filme. assisti hoje, para ter visto com cuidado mais do Orson Welles antes de culpá-lo por ter feito um bom filme, Cidadão Kane, considerado o melhor filme da história por tanta gente. Orson Welles sabia bem sobre a culpa e sobre as maneiras absurdas como a atribuímos. O processo é primoroso do começo ao fim, sem intervalos, da primeira cena aos créditos, no final, quando Orson Welles deixa o egão escapar do controle. Lindo.
Barry Lyndon e Othelo encerrarão a semana Kubrick/Welles.
5.2.07
Escritores esmiúçam a São Paulo recente Jardins, Vila Nova Conceição e Vila Madalena estão entre os bairros em que vivem personagens de ficção
Thiago Momm
Folha de São Paulo, 25/01/2007
O relógio do Itaú da avenida Paulista diz para Marcelo Mirisola que ele é "um cara triste e solitário às cinco da manhã". Na rua Augusta, o personagem de Tony Monti chora sem parar durante um filme cabeça no Espaço Unibanco, ainda que o projetor permaneça desligado e na tela não passe nada.
É essa a São Paulo que hoje completa 453 anos descrita por dois de seus bardos.
No shopping Iguatemi e no salão Jacques Janine, pináculos do consumo paulistano, a menina descrita por Luiz Ruffato se delicia ao ser bancada por um homem com quem saiu para fazer programa.
Usando uma trouxa como travesseiro para observar melhor o movimento, o mendigo de Bruno Zeni assiste, às 23h, no cruzamento das avenidas Brasil e Rebouças, à maré dos carros e às imagens multicoloridas do telão da esquina.
A gostosa e frígida Mariana retratada por Reinaldo Moraes vê no namorado que tem um Audi A4 a chance de poder morar na Vila Nova Conceição e sair do bairro do Ipiranga para "proclamar sua independência da classe média de São Paulo".
Mariana é mais apegada à cidade do que o seu autor. Reinaldo Moraes já freqüentou o Mercearia, bar da Vila Madalena que abriga lançamentos de livros e tertúlias informais com escritores conhecidos, e ambientou ali "Privada", ótimo retrato de alguns habitués da "Vila Madá". Também já cruzou a cidade a pé, para uma reportagem para a revista "National Geographic", nos 450 anos da capital. Mas respondeu à Folha, quando questionado se moraria em outro lugar, que sim, porque "São Paulo é a coisa mais descartável que tem".
E não sentiria falta de nada? "Sim, de dois ou três amigos."
De qualquer forma, São Paulo é o cenário das 48 horas em que se passam o romance que Moraes está escrevendo.
O último do Marinelli Tony Monti não cogita sair daqui. São Paulo é o lugar da pluralidade: "Gosto de mudar o tempo todo. Aqui, dá para mudar e continuar na cidade. Ela acolhe bem o diferente."
A cidade acolhe as diferenças e faz galhofa com elas. No conto "Duzentos e Dezessete", Monti inventa um cineasta chamado Marinelli para ironizar a intelectualidade paulistana. Sala cheia, o projetor não liga, e a tela segue escura, mas não importa. Os espectadores esperavam tão afoitamente pelo "último do Marinelli" que se comovem da mesma forma. "O casal à minha esquerda estava destruído em lágrimas. Vez ou outra, escutei soluços na sala, suspiros, respirações descontroladas".
No final do filme, o protagonista é consolado por dois casais. "Devia faltar bem pouco para o filme acabar quando o rapaz do casal à minha esquerda, vendo que eu chorava sem parar, ofereceu a companhia das suas e das mãos de sua namorada. Sorri e aceitei. O casal à minha direita notou o gesto e se comoveu. Ofereceu também as mãos. Aceitei, ainda que isso tenha me levado a uma posição desconfortável".
Irritado, irritadiço Em "Eles Eram Muitos Cavalos", Luiz Ruffato explora parte da cartografia paulistana, com ruas e bairros que mesmo quem é de fora conhece.
Mas os retratados são menos os freqüentadores dos circuitos culturais e mais o torcedor vendo latas de cervejas voarem no pescoço alheio no jogo do Corinthians contra o Rosário Central pela Libertadores da América; o deputado que promove orgias; o taxista que conta a vida inteira das filhas para o passageiro; o índio que, bêbado no Jardim Varginha, começa a dançar no meio da rua.
"O bicho entusiasmou, arrancou a roupa sob aplausos do povaréu e ficou balançando os negócios, crianças e mulheres passando, uma esbórnia. Até que alguém, sempre um desmancha-prazeres, convocou a polícia. Veio a Rota, sirene esgoelando, pneus solfejando, os peemes desceram distribuindo sarrafo sem piedade nem dó, e o povinho ralo, sebo nas canelas, sumiu num trovoar, os deixa-disso quisemos explicar que aquilo era índio, índio mesmo."
A Folha perguntou aos escritores o que achavam patético na cidade. "O enorme contraste entre a fragilidade das pessoas e a dimensão colossal das estruturas urbanas concretas, o aparato de segurança particular e a falsa idéia de um paraíso gastronômico", enumerou, entre outras coisas, Bruno Zeni. "O ritmo alucinante da cidade, contrastado com a inércia do trânsito", elegeu Tony Monti. "Aquele paulistano que é irritado, irritadiço, irritável", fuzilou Reinaldo Moraes.