O Mentiroso foi escolhido como o melhor texto de 2002 pelo júri do Projeto Nascente - USP.
Tony Monti é paulista. Lê e escreve. Contrariando as previsões mais otimistas, terá trinta anos antes do fim da década. Quando você telefonar para sua casa, ele estará dormindo. Em seus sonhos, ainda mora na casa onde passou a infância. Não pretende mudar, por enquanto.
Acabou, tudo em edição, secretíssima. Olha o link link que o anônimo me deixou.
Ontem vi 5 x 2. Dá umas coisas no estômago, sabe? Bom filme.
22.6.06
As suspeitas eram de que eu e o Ronaldo Fenômeno tínhamos o mesmo peso e a mesma altura. Não, ele tem uns bons quilos a mais. Eu bem desconfiava...
a genealogia do medo parte 6b
em edição, secretíssima.
sol bonito lá fora
a genealogia do medo parte 6a
em edição, vermelhíssima
18.6.06
quanto foi o jogo?
a genealogia da genalogia do medo parte 5
Ficção: como é que alguém pode editar assim fatos reais?
16.6.06
neste blog, só ficção
muito carinho parte 4
Em edição: vai apagar tudo?
13.6.06
Brasil 1 x 0 Croácia
- saudades, o aprendizado parte 3
Melhor seria que você me batesse e só então eu começasse. Te daria socos e pontapés apenas um pouco mais fortes que os seus, esperando que você aumentasse a força. Mas como? Você me ensinou, revestir de positividade a agressão. Funciona assim: diz-se algumas barbaridades sob o pretexto de que é preciso dizer tudo. Não se trata de reprovar alguma atitude do outro. Trata-se, ao contrário, de revelar alguma fraqueza própria, a pior, o que funciona como ameaça subliminar que acompanha a sedução, a ameaça de eu ser pior contigo (não só uma ou duas vezes na vida, não só longe de você). Eu te digo umas bobagens que já fiz, sutilmente e porque preciso te contar, enquanto te provoco também o amor. Simples assim, eu te digo que sou pior, e nem preciso mesmo ser pior, preciso apenas selecionar o pior de mim, te digo sinceramente enquanto você discorda (porque me ama). Assim inflo sua raiva pela pessoa que fez aqueles absurdos: eu. O amor segura, adia e faz a explosão maior. Um dia, você reclama, eu não escuto, você grita, eu te consolo. Digo que é só passado, mas insisto em revelar ou inventar mais algum fato. Quando você está para explodir, passo a dizer sem dizer. Digo metade das histórias e deixo você imaginar o resto. Melhor, você se encolhe para não ser injusta, você guarda o ódio. Você começa a me acusar de crimes que não cometi. Eu insisto, é só passado, isso de que você me acusa não existe, não agora. Você se culpa. Acumula, acumula. Até a explosão.
Então, eu pego a espada, ou o taco de baseball, descubro que é melhor usar as mãos, o melhor não é matar, não vou te destruir porque preciso de um adversário. Aprendi com você. Insisto ainda, não era preciso você ter dito todas as coisas, não era preciso ter dito nada. Mas agora que tenho uma espada, um taco de baseball e a carne vermelha queimando, de que me serve um discurso ponderado além de me mostrar que você ainda não escutou meus gritos? Sua razão aumenta minha raiva. Não era preciso dizer nada.
Ninguém bate como você, querida.
9.6.06
a boa morte parte 2
Não uso mais a espada, troquei por um taco de baseball. A espada, muito afiada, lembrava aquelas dos samurais. Os golpes da espada eram rápidos. De tão afiada, a reação do pescoço no braço de quem golpeava - eu -, quase não existia. Um golpe no ar, fffssss. A cabeça caía sempre, depois eu fatiava o corpo, gritando, e a raiva, em vez de diminuir, aumentava. Acho que o grito se relaciona bem com a precariedade do golpe de espada (apesar da eficiência, se se olha pelo ponto de vista de quem quer matar). Do mesmo modo como a lâmina dividia fácil as fatias da carne, o grito passava por você como se não existisse. Todos os apelos eram nada: eu estar errado sob algum critério ou sobre um assunto distante, fazia sempre com que minha dor não fosse, para você, diferente de um fingimento. Eu gritava e você nunca respondeu. Se ouviu, nunca vou saber. Encontrei a espada um dia e passei a utilizá-la, sempre do mesmo modo, primeiro o pescoço, depois o resto do corpo.
O taco de baseball tem a vantagem de eu sentir o golpe mais forte nos braços, é a sensação de ser ouvido, sabe? Eu golpeio e sinto que o golpe atingiu alguma coisa. Às vezes a cabeça cai, às vezes você cai, às vezes a cabeça fica deformada. No entanto, tão logo passei a usar o taco e a apreciar suas vantagens, senti falta de sentir sua carne na minha (pensei uma vez ou outra em dar-lhe chutes, mas quando você cai, eu travo, não consigo te chutar no chão). Quero usar as mãos mas ainda não consigo. Quero destruir seu corpo inteiro com o meu corpo. Alguma censura me impede. E, agora que escrevo, sinto que, se um dia usar as mãos e sentir seu sangue quente escorrer e respingar no meu corpo - sim, eu estarei nu -, talvez eu ainda fosse precisar de mais.
Penso que eu preciso que você reaja, que, para ter certeza de que dói, é preciso que você reaja e me bata também, assim como antes era preciso que você discordasse, para eu ter certeza de que você pensava sobre o que eu dizia. Lembra que eu te disse uma vez, meio sem saber o porquê, "pára de concordar comigo"? Talvez eu queira o improvável, sentir a sua dor pelo golpe que eu darei. Eu quereria ter certeza de que dói muito em você, coisa pelo menos comparável ao que me faz te matar uma vez por dia.
8.6.06
acabou a ficção? - violência parte 1
* psicologia de boteco