e X a t o a c i d e n t e
Tony Monti lê, escreve e apaga
2007

Capa de o menino da rosa Capa de O Mentiroso








????




*************** blog novo *************

*** Este blog está em novo endereço ***

*** visite: http://www.tonymonti.wordpress.com

***




30.3.06


os últimos 4 posts têm 4 comentários.
ontem, houve o acesso 44444 ao blog.
eu sei o que isso quer dizer, você sabe?


27.3.06




Eu nunca entendi o que as pessoas chamam de melancolia. Porque dizem que melancolia é uma falta sem que se saiba o que é que está faltando. Sentimento de falta, me disseram. E tem gente que diz, também, que melancolia é bonito. Eu fico confuso com coisas tristes e bonitas (ou eu estou enganado e nem triste a coisa é). Tudo bem, triste e bonita, mas deve ter alguma coisa escondida. Talvez seja bonita ao melancólico a idéia de que não é o único melancólico do mundo. Beleza por identificação, não pela falta. Confuso mesmo, eu e uns pensamentos.

E pensei também em alguma coisa que fosse a sensação de ser completado, sem reconhecer o objeto que completa. Parece sentimento religioso, e parece com melancolia. Esses sentimentos informes, sem imagem concretizável, me são muito caros. Simpatizo com gente que fica feliz e não tem explicação para isso. E não precisa de explicação. Quanto à tristeza, acho que a gente deve mesmo dar forma a ela e jogar logo tudo fora. Chamar de melancolia é já dar forma?

* ilustração: Rostro amigo, de Abbé Nozal.


21.3.06


não escrevo nada e a página tem cada vez mais acessos.
é a descoberta do silêncio.
vou começar a apagar os textos antigos.
igual ao marinelli.


13.3.06


nem
doeu


12.3.06


Nada o que fazer agora. Em 24 horas, terei nada o que fazer. A vida é curiosa.
Lembrei da história do general Pirro, não me lembro dos detalhes. Ele estava num banquete descrevendo os planos para a próxima empreitada, entre um licor e um cacho de uvas, um descanso no jardim e a sobremesa. Disse que partiria do sudeste europeu, conquistaria as regiões próximas, iria às terras do norte, chegaria à Bretanha, deixaria suas marcas na Ibéria, tomaria Roma, ocuparia o norte da África e só então voltaria para casa. Todos boqueabertos. Alguém no entanto perguntou o que fariam depois de tudo isso. Ele disse que poderiam fazer um banquete, sossegados, com uvas, licores, num espaço agradável com um jardim para descansar antes da sobremesa.


4.3.06


um post antigo - Ouvidos



Antes de lançar um livro, antes de ter um blog, antes dessas coisas, eu escutava tão pouca gente, eu escutava dois ou três amigos, a Erica e o despertador de galo do meu irmão. Eu quase não escutava Beatles, jamais escutava críticas, porque ninguém se dava ao trabalho, e também não dava ouvidos aos elogios que nunca vinham, porque ninguém lia o que eu escrevia. E os textos saíram até razoáveis apesar da minha falta de experiência. Mas comecei a escutar pelos cotovelos, ouvir demais. Ouvi até a médica me dizendo que eu estava com estafa e precisava de férias. Ouvi minha mãe rir quando eu contei sobre a recomendação da médica. Não ouvi o que minha mãe pensou.
Preciso de um pouco de silêncio, ir sossegado ao cinema, assistir ao novo do Marinelli, dormir oito horas por dia, não ir a bares lotados, responder apenas aos e-mails dos amigos e leitores educados. Ler meu Cortázar querido, dar uns abraços. Mas não vou escutar ninguém, falarei apenas monossílabos, chamarei o garçom apontando para a garrafa de cerveja já vazia, expressarei carinho com um sorriso e não explicarei nada.


2.3.06


Quando Cláudio era inteligente, as coisas faziam sentido por muito tempo. Ficava bem, por razões conhecidas, por um tempão. Depois ficava mal, cheio de explicações, por um tempão também. Agora é mais sofrido, parece, fica bem e mal o tempo todo sem saber por que. Ficou burro.

* da série, agora inaugurada, fiquei burro.


sete anos de azar
Ana o amou muito. Sempre disposta a assegurar sua liberdade, negava, a princípio, as observações mais perspicazes do namorado. Mas o amava de um jeito estranho e, passados uns dias, tomava como suas cada uma das idéias dele. Ana era seu espelho. Tornou-se difícil, para ele, agüentar os argumentos dela, que antes eram dele, todos muito lógicos e desnecessários. Ela precisava dele, ele dela, em silêncio, fato que as palavras, de tanta razão, ignoravam. Ele fugiu. Ela ficou destruída, queria saber as razões.
Ele fugiu porque quis, maluco que era.

* da série, agora inaugurada, não tem o que explicar.


1.3.06


saudade da minha melancolia.








[Powered by Blogger]