e X a t o a c i d e n t e
Tony Monti lê, escreve e apaga
2007

Capa de o menino da rosa Capa de O Mentiroso








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29.1.06


agora é assim
Encerrada, pelo menos por enquanto, a série "o menino da rosa", inicio outra, que, por enquanto, se chama "cinema", mas logo deve mudar de nome. Quando eu for ao cinema e assistir a um filme, escrevo um texto curto. Pode se relacionar muito ou pouco com o filme. Começa com esse aí embaixo, as mãos de Lúcia.


cinema - as mãos de Lúcia *

Lúcia quer ser escritora, não será. Não tem muito a dizer, porque escutou pouco. Suas mãos suam sempre e quando você as aperta, o suor passa para você e você evita, na próxima vez, aumentar o contato. Ela estuda muito, lê muito. Seu humor oscila um pouco, nada que a impeça de qualquer coisa. O suor das mãos impede, afasta pessoas interessantes. Gente interessante escolhe, porque ser interessante autoriza, e evita os outros por motivos quaisquer. Justo. O suor das mãos de Lúcia fez com que ela tenha tido apenas amigos e namorados medíocres, o que configurou uma personalidade pouco exigente. Ela se relaciona com os médios. Tem uma bunda fantástica, um sorriso agradável, mas os medíocres, que a cercaram por causa do suor em suas mãos (os medíocres, por serem menos interessantes, escolhem menos, não podem evitar o desagradável evidente), acabaram por convencê-la de que ela não deveria usar sua bunda para atrair pessoas. Lúcia não seduz muita gente por isso. Também bebe pouco, porque idealiza sua sobriedade. Beber poderia afastar um pouco seus valores seguros e fazer com que ela valorizasse o corpo por uma noite ou duas. Alguém menos medíocre poderia se interessar por sua bunda e arremessar Lúcia para uma espiral de fortuna, de gente que lhe daria mais vida e que impediria que todos evitassem suas mãos apesar de sua bunda fabulosa.

* hoje eu vi O sol de cada manhã



25.1.06


(quatro meses antes)
não é inferno astral, é?


22.1.06


ninguém me viu sorrindo
A preocupação aumenta quando percebo que me acho inteligente. Eu deveria ser interessante, eu deveria ser agradável. Eu tenho que sorrir. Tenho conseguido apenas fazer sentido. Não é bom.


15.1.06


três bichos estranhos que me fazem ir ao cinema


14.1.06

11.1.06


SS - serviço secreto


10.1.06


morfina de novo
"um carro tentou frear e talvez não tentaria se soubesse o que estava para destruir, o corpo voou e aterrizou próximo de uma guia, pernas e braços jogados e imóveis, cabelo espalhado no asfalto brilhando, algum sangue escorrendo dos lábios que nesse dia eram negros, como o pêlo negro de um cachorro que um dia Ana viu morto à frente de seu carro. E saindo do meio do redemoinho, Ana descobriria estar viva e isso seria bom, julgar-se vivo é bom mesmo para os mortos; e ainda que não houvesse, simularia uma dor forte. E a dose necessária de morfina aliviaria a dor até então desconhecida, porque viver dói, mas a dor, se sempre, é só ruído - há prazer em apenas não mais sentir a dor antes ignorada -, e sairia à rua mais fraca, antes de se recuperar e assumir algo de novo para si.

Até que fim.

(Os olhos pretos de Ana em seu rosto branco e lindo).
"

*** trecho do conto "Ana", de 2003, publicado em 2004 na revista Ficções.


9.1.06


morfina.


6.1.06


invenção e memória
será que eu vou passar todo o futuro, entre outras coisas, inventando um passado para mim?


o menino da rosa - amarelo


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