e X a t o a c i d e n t e
Tony Monti lê, escreve e apaga
2007

Capa de o menino da rosa Capa de O Mentiroso








????




*************** blog novo *************

*** Este blog está em novo endereço ***

*** visite: http://www.tonymonti.wordpress.com ***





26.9.05


o menino da rosa - ressaca

.


19.9.05


o menino da rosa - mão

.
(* tudo em edição, sempre, por aqui)


um blog, ahh, um blog

No começo da existência desse blog, fiz algumas listas TOP 10. As listas não tinham necessariamente dez elementos, nem os elementos se relacionavam de modo fácil, eram dez coisas interessantes de que eu gostava (ou às vezes não gostava). Valia qualquer coisa. Uma lista, associação mais ou menos livre de idéias. Depois eu escrevia um texto com algo sobre a lista. Era bom para eu fixar em palavra umas impressões do espírito.

Não sei por que motivo, minha bipolaridade sempre me engana, fiquei bem, quase eufórico, num fim do domingo quase segunda, quando a bipolaridade costuma me pôr triste. Só por isso, vou fazer uma lista.

TOP 10 bipolaridade em alta (só para ter um título - pensei em escrever uns textos com o título no final, será que dá certo?)

aimee mann
beatles
andar de mão dada
bipolaridade
cinusp
planejamento
banho quente
desistir
enganar-se
cabelo de menina
dorme que passa


16.9.05


correção
fui roubado [s/f]urtado no dia 7 de setembro pelo Ivan dos [f/s]urtos.


13.9.05


o menino da rosa - fernanda

.
(*em edicão, como tudo nesta página)


12.9.05


fui roubado no dia 7 de setembro pelo Ivan Justen.


5.9.05


(conto que era para ser outra coisa - escrevi tudo de novo, depois eu mostro)


sobre a liberdade necessária para construir máquinas azuis


O ruído dos motores rodando e dos fluidos nas tubulações são como silêncio - a máquina trabalha enquanto o homem dorme.

Acordou tranqüilo e descansado. O desespero que o acompanhava todos os dias desde sempre concentrava-se agora apenas nos últimos minutos antes de dormir. Ainda tinha dúvidas mas quase já não se lembrava disso. Comeu e tomou banho sem pressa e sem mudar de humor. Aproximou-se então de um dos braços da máquina e tratou de alinhar uns eixos para o encaixe de um novo mecanismo de captação de água.

A estrutura toda estava tão grande que ele já não guardava todas as possibilidades de cabeça. Anotava num papel, nos últimos momentos de trabalho, as modificações feitas naquele dia. Destinava também uma hora após o almoço a mapear e testar mecanismos antigos dos quais já não se lembrava a utilidade.

De noite, após trabalho intenso, tinha ainda, neste dia, a cabeça boa para alguma atividade. Recolheu-se num dos cômodos do primeiro andar da máquina e colocou numa mesa um motor antigo qualquer. Apertou os botões e ajeitou umas polias. Uma espécie de tear começou a puxar fios de novelos diversos até confeccionar um tapete. Imediatamente, passou a desfiar o tapete e a jogar os fios no chão. O homem não parou o motor. Um novo tapete (diferente do primeiro) foi feito e desfeito. O homem riu em frente a mais este mecanismo com pouca utilidade, anotou alguma coisa nos mapas e devolveu o motor ao descanso. Em seguida, foi a um cômodo próximo, onde havia uma cama. Despiu-se e deitou-se. Perdeu-se em umas poucas questões inúteis, angustiou-se (a cada dia angustiava-se menos) e dormiu.

Conforme os dias passavam, a máquina aumentava. Uma sensação de poder tomava o homem, relacionada à idéia de ter construído tudo sozinho. Cresciam também os mapas e a impossibilidade de o homem ter tudo sob controle. Além do tempo dedicado aos mapas, o reparo diário de algumas estruturas com defeito tornava mais vagaroso o andamento de adição de novidades ao mecanismo todo.

O homem estava, um dia, desentortando uma roda - que, ligada a uma correia, fazia circular água e produzia um efeito bonito de moinho -, quando escutou um estrondo em outro ambiente da máquina. Correu até lá e viu no chão, quebradas, duas placas solares do acumulador de energia. O inverno se aproximava e o moinho ficou para depois (na verdade, nunca mais rodaria). As placas tornaram-se prioridade. (Nos meses seguintes, enquanto construía as novas placas, lembrava-se com certo alívio dos primeiros invernos, quando agradecia ter encontrado umas peles soltas para se cobrir. Olhava agora a máquina toda, inteira sua, e de um minarete, o ponto mais alto da estrutura, o deserto que o cercava. Escutava aquele silêncio morno e aquele som grave de vento fraco.)

Nestes dias, quase não voltava ao quarto. Dormia pouco e onde estivesse. Alternava o trabalho nas placas solares com algum reparo de urgência. Abandonara o mapa por um tempo e, dada a quantidade de explosões e sons diversos e estranhos, cada vez mais freqüentes, acostumou-se a não dar atenção demais aos barulhos imprevistos. Decidiu por fim abandonar grande parte da máquina - pouca coisa lhe fazia sentido - e dedicar-se aos processos ligados ao uso diário, como o aquecimento, a capitação de água e de alimento, e o processamento da comida e do esgoto. Imaginava que, em breve, as explosões cessariam e que ele poderia, mais descansado, pensar em aumentar aos poucos a porção da estrutura sob seu controle.


Era inverno, as placas ficaram prontas mas havia ainda muito o que fazer. Alheia que aos poucos mecanismos que ele continuava controlando, a máquina desmontava-se, devagar ou em explosões, ainda em funcionamento e sem uma coerência aparente. O homem remendava um feixe de tubos num dos andares superiores quando algo começou a se mexer embaixo da rampa onde se apoiava. Não deu atenção a princípio, até que a rampa começou a vibrar. Deu apenas um passo antes de cair de costas. Não se machucou. Segundos depois viu um braço inteiro da máquina pular. Respirou. O braço (inteiro) em que ele estava foi lançado ao céu.

A estrutura subiu rápido e o homem não pôde ver o que, da máquina, restou ainda funcionando em seus processos parciais e sem finalidade. Distante de todo o resto, agarrou-se à ferragem morta que lhe acompanhava. Quando conseguiu uma razão maior que apenas salvar-se, arriscou um olhar para a planície que sobrevoava. De longe, não reconheceu muito, uns lagos e umas árvores talvez. Voar dá uma estranha sensação de liberdade, o homem não se movia. Centrou a consciência na própria respiração. Aproximava-se, de novo, do chão. Olhou em volta. Se se perguntasse isso, não saberia onde estava. Aterrissou numa massa fofa. Doeu por segundos apenas antes do desmaio. É possível que o mundo tenha existido nesse meio tempo. É provável que o homem tenha respirado, já que, em algum momento mais ou menos desligado do passado, vivo, acordou.


Reestabelecida a consciência, por horas tentou apenas localizar e medir as dores. Em seguida, encontrou uma árvore com pêras um pouco azuladas. Enquanto comia, ondas de vômito lhe subiam, não se sabe se pelas dores, por algum ferimento escondido ou pela falta de sentido de tudo. Os dias se resumiam a comer, a doer e a se desesperar. Embora tivesse feito uma ou outra tentativa consciente (e sem sucesso), a saúde do corpo voltou num ritmo alheio a suas escolhas. Quando as pernas permitiram, passou a correr sem que identificasse algo de que fugir. Vasculhava, enquanto corria, a terra onde caíra. Aos poucos, foi reconhecendo caminhos, árvores que lhe serviam o alimento e uma pedra ou um curso d'água que, se não lhe serviam de outra coisa, o ajudavam a compor um mapa. Quando choveu - e choveu por semanas -, buscou uma caverna que já tinha visto, um pouco distante do ponto onde tinha caído mas perto de árvores com frutas estranhas de diferentes formas e tamanhos. Azuis.

Enquanto o céu descarregava água, o tempo esfriava. O homem tratou de tecer um agasalho e fazer fogo. Dormiu quase todo o tempo até pouco antes de o sol se firmar no céu.

Deitado boa parte do dia, mas já com as vontades em feridas menos vivas, mais sob controle do que quando voava ou pouco depois de chegar à terra nova, passou a utilizar parte do tempo buscando pedras, troncos e lugares, guardando e organizando as suas coisas e limpando a caverna. Quando a região estava toda seca, saiu e por horas observou tudo o que tinha acumulado naqueles dias. Localizou beleza até. Resolveu, como se fosse escolha sua, assumir a caverna e a região como um lugar seu. Chamou o que via de "máquina".

Nos fins de dia, sempre cansado, ainda se angustiava (mas dormia rápido).








[Powered by Blogger]