e X a t o a c i d e n t e
Tony Monti lê, escreve e apaga
2007

Capa de o menino da rosa Capa de O Mentiroso








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28.5.05


ritmos
tony monti sumiu - aparecerá (outro?)


24.5.05


Tony Monti
apaguei


23.5.05


justo
mas não era justamente o contrário?


21.5.05


(e de solidão eu chamei o jeito triste de ir sem aceitar.
É liberdade, também, mas nesse caso vale ter mais de um nome)


quantas marianas!?
Há uns bons anos, a Mariana Garroux me perguntou se eu acreditava em destino. Ela estava subindo a escada, me lembro. Eu disse, daqui de baixo, que eu acreditava em acaso. Me enganei, Mariana, tem destino sim.
(o destino, é aceitar ou recusar.
Aceitar não é adivinhar o destino e cumprir. É ir. Recusar é ir, também.
Dei o nome de liberdade a isso.)
(e se não tiver, também tem. Se não tiver, a gente acha que tem e é aceitar ou não.
E é liberdade o nome que eu dei.)
(e se não tem e a gente acha que não tem, é igual a aceitar e ir.
E é liberdade, se precisar de um nome.)


20.5.05


O fim da literatura

a minha silenciosa amiga Mariana Delfini

O livro mais triste que eu li acaba bem. Não sei se é o mais triste. Pensei que fosse enquanto o lia, mais ainda quando acabou bem. Ernesto Sabato contava como tinham dado em nada suas utopias. Não sobrou comunismo nem anarquismo para alimentá-lo na velhice. Nem a saúde, nem a visão. Perguntaram para ele em uma entrevista se ele não achava incoerente ter sido ateu (e militante) durante toda a vida e então, com noventa anos, se declarar religioso. Coerência. Para quem vai morrer. Hoje não beija, amanhã não beija, depois é domingo e segunda, se chegar, talvez eu morra. Coerência. O livro é muito triste. No último capítulo, ele resolve ter esperança. Diz que acredita na juventude, apesar de não acreditar em mais nada e tudo ter se configurado desesperador. A juventude como solução, e não ele - para ele a morte -, é triste demais, mais triste que se a vida acabasse sem sentido no penúltimo capítulo. A esperança me soou tão falsa que comecei a desconfiar de que o fim tivesse sido planejado como ironia. Estranho para mim como o fim religioso para o Raskolnikov, sempre tão racional. Quinhentas páginas de argumentação hard e quarenta de eu aceito. Os fins dos livros são terríveis.

Os fins dos livros são terríveis. A Clarice Lispector tira o chão, todos eles, n'A Paixão segundo G.H. É uma sucessão de nãos e impossibilidades a cada afirmação tímida. E acaba o livro do jeitinho que começou, com seis travessões. Tempo cíclico, anéis sucessivos unidos pelo artifício de usar a última frase de um capítulo como a primeira do outro. E os últimos travessões, no último capítulo, do mesmo modo que os primeiros, no primeiro. Depois dos nãos vem um sim tímido, o de aceitar os nãos como condição e viver dos sins que ela não colocou no livro, a não ser pelo fato de ir dançar no Top Bambino e de vacilar antes de escolher a cor do vestido. É sim e não, a condição humana. Quando a coisa anda, a gente nem lembra que pode não andar; e quando não anda, é o Sabato falso falso dizendo que a juventude, e não ele. Se não sou eu, não é ninguém. Os outros?, Pirandello dizendo: "E os outros? Os outros não estão dentro de mim. Para os outros que me vêem de fora, as minhas idéias e os meus sentimentos têm um nariz. O meu nariz. E têm um par de olhos, que eu não vejo e eles vêem. Que relação há entre as minhas idéias e o meu nariz? para mim nenhuma."

Talvez o livro mais triste tenha sido um outro, um que eu li com sete anos, para a escola. Marcos Robô. O garoto tinha um robô cheio de botões. Botão apertado, o robô ajudava na lição de casa, ou brincava de bolinha de gude, ou contava piada. Vários botõezinhos etiquetados e só um sem etiqueta. (a Clarice Lispector gostaria de botões sem etiquetas, eu acho) E, inevitável, eu já gostava do garoto e do robô. E estava curioso sobre aquele botão esfinge. Eu me lembro de onde estava enquanto lia. Deitado no sofá enquanto meus pais viam televisão. Nesse tempo sem grandes ansiedades, se o mundo explodisse, eu não perceberia. Seria preciso me avisar. E o menino apertou o botão e foi o fim. Não acabou o livro. Acabou o robô. Autodestruição. Escondi o rosto para não mostrar que chorava com historinha de livro de criança.

Lembro também de onde estava quando li O Estrangeiro. Estava na praia. Mersault encontrou o árabe ali perto de mim, a uns quinhentos metros, perto das pedras que separavam a Praia Grande de Mongaguá. Gostei do livro do começo ao fim. Triste e tenso do começo ao fim. Absurdo como a vida, eu achava, mas achava bom que fosse absurdo e triste. Uma vez uma namorada me disse que tinha lido um livro e achava que eu ia gostar, que era triste e acabava em morte. Eu tive meus momentos. O Adalberto, meu amigo, e eu planejamos e nunca escrevemos um livro que acabasse bem, só de sacanagem. Fica mais absurdo ainda. É como o Sabato colocando as esperanças na juventude. Escrevi depois de um tempo um livrinho que era assim. Não sei se alguém chegou ao final feliz, o livro não era grande coisa. Talvez não tenham passado das primeiras tristes páginas.

Apresentado ao Camus, fui procurar um outro livro dele para ler, e achei A Peste. Enquanto lia, a sensação de que iria acabar bem não me agradava. De que adianta uma peste que mata uma população quase inteira e destrói os possíveis prazeres dos que sobreviviam se ela é controlada no final? O livro acabou. Pode ler, é bom, não conto o fim. Antes do fim, queria matar o Camus, porque pressentia o final que afirmava a vida e não o "para a morte" que me tomou por um tempo. Camus, assim como Deus, está morto. Pensei nisso por anos, continuei gostando do Camus, e desconfiando de finais felizes, até que conclui, talvez para não precisar dizer que A peste era um livro menor e que o final... , que se vida ou se morte importava menos que o absurdo da existência, que afirmar vida não era o único contrário de negá-la, e que o fim ser mais um não sei que um sei que não não está mal . E talvez seja eu agora garantindo meu menor desespero quando, como o Sabato, eu estiver à beira do não sei. Amém.


18.5.05


Duram dois dias e meio dentro de um útero que não é meu e que não sou eu. Quase nada sou eu deste lado do mundo. Continuarão não sendo eu se por um milagre algum deles ganhar um eu para ele. É assim desse lado. Do outro lado (lembro-me em lascas), quase nem existo, é uma coisa só, é toda a potência explodindo. E aqui, toda ela se contendo. Se um deles :: um eu, não sei se sorte ou azar. Silêncio. Eu olho meu gato indiferente de tudo, olho seus olhos me olhando às vezes e não acredito, parece tanto comigo, de onde tiraram que ele é indiferente das coisas? Às coisas, um pulinho, um nada. Não acho mais que o homem é uma margarida que vê. O milagre deve ser outro. Ou talvez seja eu indo agora para o outro lado. Seguro mais um pouco, mais um pouco. Lateja o mundo e logo estarei nele. Eu já sei. Quando explodir da próxima vez, não seria mau estar contigo.


13.5.05


E os outros? Os outros não estão dentro de mim. Para os outros que me vêem de fora, as minhas idéias e os meus sentimentos têm um nariz. O meu nariz. E têm um par de olhos, que eu não vejo e eles vêem. Que relação há entre as minhas idéias e o meu nariz? para mim nenhuma. (Pirandello)


quero esquecer umas coisas (não me refiro ao Caetano Veloso)


e se não tivesse o amor?
Tenho escutado tanto o Caetano que ele já tá dentro da minha cabeça, mesmo quando eu não quero ele. Ele toca o tempo todo, e alto. Às vezes atrapalha as outras coisas que eu tenha que fazer. Estudar, por exemplo. Toca, toca e eu não sei bem onde é o botão de desligar. Tentei, ontem na biblioteca, prestar atenção na minha respiração pra ver se ele ia embora. Não foi. Depois comecei a ler o que eu tinha escrito, sem entender muito, pra ver se embalava. De algum modo, embalou. Uma meia hora depois, percebi que eu não tinha desligado o Caetano da minha cabeça, eu tinha só abaixado o volume. Ele tava tocando baixinho o tempo todo enquanto eu escrevia.


assim falou Walker
é preciso confiar, é preciso ser religioso, é preciso crer. meu melhor eu acontece quando eu sou crente. eu, descrente, sou uma maquininha de dizer coisas que fazem sentido. tenho pensado nisso. god spoke to me (disse o Caetano, que não sai da minha cabeça, nem quando eu quero - então, na dúvida, eu escolho ouvir o CD, que o som é melhor que o da minha cabeça). (quem?) vem comigo, te explico no caminho. eu preciso acabar o mestrado pra poder pensar inutilidade. tô ficando inteligente demais. isso não presta, não.
(keep walking)


12.5.05


só olhos, o mundo passa, eu sei,
o ser humano é uma margarida que vê


Escrever não é fácil ou difícil e sim possível ou impossível
do Camilo José Cela


10.5.05


Há quem discorde, bom dia seu Medeiros, passaram a mão no verdão, hein?! Seu Medeiros é sãopaulino. Na infância, é bom ter um time. Ter um time garante que, quando for deixado pela mulher, o homem ainda tenha onde se agarrar. Um safado, o juíz. Seu Mdeiros teve infância. Seu Medeiros é sãopaulino porque eu perguntei. Ele é sãopaulino porque há quem, como ele, gosta de comemorar campeonato alheio. Para agradar. Seu Medeiros tem um time para concordar com quem quer concordar com ele. Há quem discorde. Seu Medeiros, não. Um safado, o juiz. Olha, eu sou sãopaulino, mas reconheço que o São Paulo não mereceu. Com seu Medeiros, eu concordo, porque gosto de discordar, mas seu Medeiros não deixa. Então, concordo para desconversar. Muda de opinião rápido. Mantém-se informado, escuta ambos os lados para poder concordar com ambos. Mas ele não é palmeirense? Meu irmão achou que fosse. Sãopaulino, bem intimamente. Mais intimamente, coisa nenhuma. Porteiro do prédio. Convidaram. Aceito. Boa noite. Ótima. Seu Medeiros me ligou para parabenizar pelo título brasileiro. Seu Medeiros teve infância. Casou e teve filhos. Como? Se eu casar é para discordar de alguma coisa. Na hora do sim, seu Medeiros disse sim. Continua casado e tem um time. Não por via das dúvidas. Dúvidas tenho eu. Muitas. E seu Medeiros todas as possíveis conclusões. A mulher não o deixou. A vida é complicada. Seu Medeiros concordará se eu lhe disser isso?


7.5.05




beleza roubada da mariana


6.5.05


paralelos e mínimos
tem continho meu (e mais dois ou três) no especial paralelos de 300 anos da revista.


5.5.05


deu no eraOdito:
"REUNIÃO DE ESCRITORES

Amigos: vocês acompanharam aqui no meu blOgue o Movimento Literatura Urgente do ano passado. Aquela coisa de criação de políticas públicas para a literatura. Documento assinado por quase 200 escritores. Enfim, assado. Sei que o assunto é chato, mas necessário. Avanços tivemos desde lá. Fomos ouvidos por Gilberto Gil. Estivemos com o Galeno Amorim. Houve pressão via TV, Internet e jornal. Até com os deputados em assembléia nós estivemos, sabiam? Quantos contos perdi de escrever, mas aprendi com o amigo Ademir Assunção que é preciso mobilização. Para onde? Não sei não. Mas vamos que vamos. O que não adianta é cruzar a bunda e ficar reclamando. Tô falando: estamos bem perto de conseguir coisas boas para todo mundo. O que será que será? A saber: uma megarreunião de escritores irá acontecer no dia 16 de maio, uma segunda-feira, às 20 horas. Vamos lá? Vai ser no Teatro de Arena Eugênio Kusnet (Rua Teodoro Baima, 94 - final da av. Consolação) e saravá!
"


3.5.05


A lava vai esfriando. Começo a reconhecer em mim uma parcela de culpa. Não é culpa. É estar também em mim parte da causa de alguns fatos. A lava esfria e parece aumentar alguma liberdade de pensamento. Há nuances que segundos antes eu não vi. Em perspectiva projeto o momento em que, bem fria, a lava estará quieta e ignorável. Nesse instante, a liberdade de pensar, de aceitar e de rejeitar estará plena, e se confundirá com a evidente escravidão de viver os ciclos de erupção e esfriamento sem nada poder fazer a respeito disso. Até que a lava. De novo. E os pensamentos serão derretidos para se solidificar de outra ou da mesma meneira da próxima vez.


Eu posso pensar seus pensamentos, o que é mais que lê-los. Não olhe para mim a não ser que aceite, que se sinta disponível a

Eu deixo que pensem meus pensamentos. Passivo demais o poder de permitir? Deixar que pensem é um poder que você não conhece. Pensar o pensamento de outro é ganhar um braço. O que não adianta muito. Eu tenho todos os braços (o que também não adianta nada, mas você só vai saber se eu deixar).


2.5.05


Candiru *

Pelo buraco, pensou, mas sem as palavras. Guiou-se pela temperatura do líquido. O túnel que se seguiu era escuro, estreito e quente. Para não ser vencido pela corrente e pelos músculos, colocou em guarda os espinhos da base da cabeça e os prendeu nas paredes do orifício. O rapaz, apesar do incômodo, continuou olhando para a moça que se aproximava vencendo as leves ondulações do riacho. Ambos nus, separaram-se por minutos, como parte de um ritual. Ambos, quando distantes, descarregaram as bexigas, antes repletas do que restou da muita cerveja que beberam.

Aos primeiros novos contatos táteis dos dois, a dilatação da vagina da moça e o calor dos corpos atraíram dois invasores para dentro dela. Cravaram os espinhos. Diferente do que aconteceu com o rapaz, formalizou-se um pensamento na moça. Entrou alguma coisa em mim, e o rapaz sorriu. Mergulharam na água lamacenta. Brincando, assim, faziam circular em seus corpos as substâncias necessárias para esquecer o incômodo e a dor.

Uma multidão de pequeníssimos peixes nadava em volta dos corpos quentes. Buscavam guelras mas não as encontrariam. Orelhas, nariz, boca e ânus também foram invadidos. Os corpos se paralisavam. O momento humano, no entanto, não foi adiado. O pênis ereto do rapaz tornou-se alvo mais fácil. Esfregavam os corpos que, ainda não percebiam, já sangravam. Os seios, os braços, as pernas e a dor. Duas dúzias de pequeninos animais cravavam seus recursos no que lhes parecesse guelras de peixes maiores. Obtinham, pelo esforço e pelas habilidades adquiridas ao longo de milhões de anos de seleção, raspas de tecido sólido e sangue.

Poucos minutos até que pênis e vagina se encontrassem. Das orelhas, os peixinhos se espalhavam pelas cavidades da cabeça. Enquanto seguiam o movimento periódico, os olhos avermelharam até que a primeira gota de sangue escorreu de um canto de olho ao riacho. Beijavam-se e cuspiam sangue e pedaços de peixes. Os corpos em contato íntimo garantiam a minimização da dor que circulava no corpo como sangue.

As pernas e os braços começaram a inchar com os primeiros entupimentos. Reflexo incontido, os sistemas digestivos vomitavam tentando expulsar os corpos estranhos. Pedaços de invasores saíam em vômito junto com tecido dos próprios corpos.

Não mais olhavam-se pois o sangue cobria os olhos. Ou, em seguida, porque os nervos ópticos já estavam interrompidos. Mantinham as forças necessárias para não se afogarem enquanto a penetração vaginal dava-lhes a nítida sensação de estarem vivos. Cravavam as mãos nas costas do outro para não se afastarem. Arrancavam sangue com as unhas. Mordiam-se as faces no desespero de não se separarem..

O movimento intensificou-se. A massa avermelhada já não se sustentava em pé. Embaixo da água, mantinham-se juntos como na pedra um animal fossilizado. Rasgavam-se as costas com garras recém descobertas. Destruíam-se as faces com dentes cães. A moça desmaiara. Enfim, o rapaz gozou.

Sem nenhuma palavra, em minutos boiaram juntos e dilacerados. Enquanto não fediam, peixes os consumiram por dentro e por fora. Até que o cheiro alertou os urubus. Ao fim, quando a carne não mais servia aos animais superiores, os vermes deram conta de restabelecer o que antes existia.

* essa semana, o melhor do pior ( texto originamente publicado no especial grand guignol da revista paralelos )


1.5.05


quase dois irmãos (a)
bom (a) e (b)
coletivo (a) e (b)
ímpeto (b)


e tinha algo também a dizer sobre o beijo e o vento, mas digo depois que decidir entre os dois.


melhor não dizer

x provoca y provoca x provoca y, no mundo o tempo pode nunca ser cíclico assim, mas na cabeça, que é o mundo?, às vezes não é x nem y a não ser que se tire uma fotografia, a não ser que se esqueça o ciclo que é tão x quanto y, não decidi ainda, será uma fotografia de x ou y, talvez, um dia, não decidi ainda, é possível (possível também o contrário disso) que se nada forçar uma decisão, a decisão nem se tome, que se tome x ou y como resposta local e sempre provisória. Mas como eu quero que seja x ou y, apenas um dos dois, e definitivo (menos provisório), eu mesmo tenho tentado aprisionar um deles e descartar o outro.

Um dia pode chegar alguém (você) e fazer a pergunta e eu posso dizer com cuidado, tenho pensado nisso, há duas respostas que se sucedem, e nenhuma das duas é definitiva. (Antes, devo agora dizer que é improvável que eu tenha tanto cuidado quando você faz a pergunta exata para a resposta que eu ainda não escolhi) E, com cuidado, há duas respostas (preparo você) que se sucedem, e eu ainda não decidi. Não sei no entanto como te explicar o estado de alma que permite que duas respostas se sucedam e uma seja a causa da outra, ou quase isso, porque você pode ter outro tempo na mente. E, que cuidado é esse de te dizer que são duas as respostas quando o fato de haver uma dúvida já, a você, não é satisfatório? Se você não pode ler minha alma, melhor eu mentir, desconversar, não dizer nada? Qualquer resposta que não seja y, definitivo, não lhe é satisfatória.

Apressado eu digo, por exemplo, x, porque x estava no instante na minha mente. Pior ainda, digo x porque você me pergunta diretamente (em vez de o que?) x?, induz meu pensamento a x. Distraído, reconheço que x é resposta (y também, mas só completo o ciclo no instante seguinte). Digo x, e quando já era y para mim, x era definitivo para você, x saiu do meu tempo cíclico e coube exato na sua necessidade de preencher uma lacuna.

Jamais sairá da lacuna. O máximo que podemos fazer é soterrar de y o x, se algum dia eu mesmo escolher y, entre x e y, em vez de ser induzido a eternizar uma resposta que não é única. Mas x, que poderia sumir se a escolha nunca tivesse sido induzida, existirá, então, sempre.

Melhor não dizer, nem em tentativa, se apenas y é satisfatório. Se eu digo x, nunca mais será apenas y. E agora te explico porque você foi desonesto comigo e contigo, sem perceber, e, ontem, me forçou a dizer x. Digo agora para tentar soterrar de y, muitos, o x que eu te disse assustado. Era melhor não ter dito. Era melhor ter olhado nos seus olhos até você me perguntar que foi?, sobre meu olhar, e eu dizer nada.








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