e X a t o a c i d e n t e
Tony Monti lê, escreve e apaga
2007

Capa de o menino da rosa Capa de O Mentiroso








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29.4.05


meus dicionários
- causas e conseqüências


Seduzir - tirar do caminho.
"Na parede caiada, contígua à porta - e por isso eu ainda não o tinha visto - estava quase em tamanho natural o contorno a carvão de um homem nu, de uma mulher nua, e de um cão que era mais nu do que um cão. Nos corpos não estavam desenhados o que a nudez revela, a nudez vinha apenas da ausência de tudo o que cobre: eram os contornos de uma nudez vazia. O traço era grosso, feito com ponta quebrada de carvão. Em alguns trechos o risco se tornava duplo como se um traço fosse o tremor do outro. Um tremor seco de carvão seco."
(d'a paixão segundo G.H.)


27.4.05


cada vez mais blog
- o mundo é um moinho (Cartola)


Ainda é cedo, amor
mal começaste a conhecer a vida
já anuncias a hora de partida
sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Presta atenção, querida,
embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco a tua vida
em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor,
presta atenção, o mundo é um moinho
vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
vai reduzir as ilusões a pó

Presta atenção, querida,
de cada amor tu herdarás só o cinismo
quando notares estás à beira do abismo
abismo que cavaste com os teus pés


26.4.05


silêncio não é nunca mentira?


25.4.05


hoje é letra mas é quase silêncio. volto à estratégia já utilizada de não escrever nada mas mudar constantemente o título do blog. dessa vez, não o título que aparece lá em cima (exato acidente), só aquele título lá embaixo, o do botão que abre a página. Mais nada.


18.4.05


TUM tum
Era pra ser silêncio hoje, de novo, mas vai ser letra. Que eu estou escrevendo umas coisas mais longas e umas coisas pouco blog. Mas foi que eu li um textinho inspirador e resolvi contar: "Ritmo", do Octavio Paz (está no O arco e a lira). Foi o Mauricio que indicou. Não foi bem indicar, ele falou uma coisa e eu perguntei de onde ele tinha tirado aquilo, de que o ritmo era vontade de transcendência, o mesmo que quer ser o outro, a repetição de iguais pra ser diferente, o igual que sustenta o diferente. E nem foi isso que ele disse, esse já sou eu dizendo. O ciclo que finge que não finge que finge que não finge e que enfim aponta para alguma coisa, por se repetir em apontar para nenhum lugar.

E lembrei assim que meus amigos dizem umas coisas. E que o Zé está fazendo meu mestrado sozinho e eu só vou colocar o nome dele nos agradecimentos. Na capa vai o meu. Ele diz, eu pergunto, ele diz, eu pergunto, e aí eu escrevo. E é capaz de virar um texto. E até a ficção é ele que escreve. E só de sacanagem, em vez de dizer no texto que a história quem contou foi ele, vou começar a colocar o nome de Zé nos personagens. Né Zé?


11.4.05


Deste lado do mundo é sempre muito tarde. Este lado do mundo sou eu hoje. O outro lado é lembrança vaga da mágica. Os bicos dos peitos da moça não mais me seguem, caminham apenas. É assim que ocorre a mágica do outro lado do mundo. Aqui não. É preciso ter muita esperança para não ser livre. Incrível ainda ter sobrado alguma. A moça não tem medo da minha liberdade, da minha vontade de preencher, de pertencer. Envelheci. Velhinhos eram bons há alguns anos. Boa tarde, ofereceria um café mas não tenho muito tempo, envelheci. Tarado. Morreu a coitadinha, o velho enlouquceu. Censuram-me até os pensamentos, te dou cinco anos de vida, não tenho muito mais que isso, vão te fazer falta, garanto. Te dou tudo, é sério.


8.4.05


Deste lado do mundo é sempre muito tarde. Os ciclos, este lado do mundo sou eu nos vales. Não tenho tempo, angustiar-se no metrô é novidade. Quando não há tempo, gosto dos tubos que se comunicam por baixo do mundo, das correspondências e das mágicas. Os tubos do metrô são a concretização da mágica. Lembro vagamente. Envelheci, até os buracos envelhecem, a moça que caminha atrás de mim ao lado da plataforma não está me seguindo. Caminha, apenas, sem medo da minha liberdade, da minha vontade de preencher, de pertencer. Minhas opções são a secura ou o nada. A vida úmida não chega a mim, vai. A vida úmida caminha perto, paira próximo, o perfume da vida úmida chega ao meu nariz, meus olhos vêem, eu lembro, mas nunca sou eu. É preciso ter muita esperança para não ser livre, é preciso ter muito medo para manter o silêncio. Pensei que soubesse de algo, mas não, eu era um deles, inofensivo. Pensei em gritar, melhor não, melhor aguardar a novidade.


2.4.05


o menino da rosa - eduardo

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1.4.05


hoje, nada. mentir hoje não seria bom.








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