e X a t o a c i d e n t e
Tony Monti lê, escreve e apaga
2007

Capa de o menino da rosa Capa de O Mentiroso








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30.12.04


O metrô é um conjunto de tubos para você entrar aqui e sair ali. A vida toda em cima, a vida toda embaixo. A vida é em cima e em baixo, o metrô é caminho e é lugar. Entrei num desses ontem. Sentei num banco - não há bancos escondidos - e olhei. O metrô é como que de mentira, é a vida de baixo construída pela vida de cima. Depois de construído, é embaixo como se fosse em cima. Entrei, já disse, e antes de sair foi que aconteceu de eu duvidar de ter entrado, como se houvesse um Lethes a me fazer esquecer de algo e mais algum rio (sem nome) a me fazer lembrar, como se eu ou alguém tivesse escolhido que iria começar a partir de então. Não fazia sentido, ali, que eu tivesse entrado ou um dia acordado. O dia anterior era tão distante quanto as partes da cidade aonde o metrô não chega. A partir de então:


eu já desconfiava
Saiu o especial poesia Patife e tem um textinho meu lá . A revista tá muito bonitinha, vale a pena dar uma olhada.


27.12.04


o menino da rosa - cinema

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23.12.04


o menino da rosa - terra

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22.12.04


o menino da rosa - azul

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21.12.04


o menino da rosa - fada

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19.12.04


Natal

Não gosto de Natal. Tudo meio triste, tudo muito parado. Não gosto dessas grandes paradas, tudo pára, a padaria fecha, as pessoas se fecham. Não gosto também de feriado, nem de fim de semana, nem dessas horas em que todo mundo pára junto. À força, de um jeito só. Se parassem juntos mesmo, mas param juntos separados. Seria religioso pararmos juntos. Sou muito religioso. Cada um compra suas coisinhas numa loja. Lojas diferentes, presentes diferentes, sentimentos diferentes. E uns indiferentes. Eu não gosto.

Gosto só porque alguns amigos gostam. De fim de semana, às vezes eu gosto muito. Eu queria poder ir para a Avenida Paulista, andar na calçada, tomar uma cerveja, encontrar os amigos e não ver as luzinhas piscando. Natal é triste porque é a evidência da solidão para os que são sós. Sem festa, sem árvores, sem presentes, sem musiquinhas, sem presépio. A não ser que você queira.

Feliz Natal, ainda assim, se você quer um. Seja feliz. Se você fica feliz em ouvir Feliz Natal: Feliz Natal. Porque se você quer, não tenho algo definitivamente contra os desejos de boas festas. Feliz Natal, e que é que isso vai mudar? E se você não quiser meus votos, fico quietinho e desejo as felicidades só, e te deixo saber que também eu não gosto de Natal. Não gostaremos, juntos, de Natal.

E tem mais, meus votos de felicidades, falsos assim, de que é que valem? Se eu desejar, você vai ficar feliz numa mágica? Eu desejo aqui, você fica feliz aí. É assim que quero, meu amigo. Na base da mágica. Não acredito em Natal mas acredito em mágica. E, mesmo sem mágica, porque gosto de você, gostaria que você soubesse que, se houvesse mágica, desejaria a você e produziria num truque a sua felicidade num Natal em que não acredito. Se saber disso vale alguma coisa, meu amigo, Feliz Natal. Não pelo Natal. Pelo feliz e por você.


18.12.04


o menino da rosa - escola

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16.12.04


*** em direção nenhuma - preciso de direções, não de nomes de rua ***
Gosto de botões, mesmo os sem etiqueta, aperto ou não, etiquetas sem botão é que não me dão um norte. Falar um idioma estrangeiro não se sabe de onde, ter a chave de que porta? Seja o que seja um norte. Encontrei um bilhete anônimo, com nada escrito, num guardanapo branco. Agradeço a visita, de quem?

A-men-do-im,
Deus (que não existe) gosta de mim.


14.12.04


o menino da rosa - literatura

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o menino da rosa - Santa

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13.12.04


http://vanallens.com/exchristian/2002_10_04_archive.php
Arrumou os lençóis limpos, apagou a luz e tentou dormir, mais um vez. Sob a escuridão, acima da cama, para o caso de falhar novamente, uma corda pendia do teto.


9.12.04


Desde ontem meus dedos dão a volta no mundo, por diferentes latitudes. Meus braços se alongaram e minhas mãos cravaram-se raízes em todas as terras. As terminações nervosas ultra-sensíveis infiltradas em cada quarto. E a dor. A dor em cada músculo. Por favor, não se mexa. Não tropece nos meus dedos. Cada fiapo de mim ressoará o movimento. Tremerei em dor. Tenho que cuidar disso. Não se mexa. No escuro suspeitarei de algo que não existe. E, porque se existir eu saberei, dói agora. Suspenda sua respiração. Acima de tudo, não se mexa enquanto eu não acordar.


7.12.04


Já havia visitado o Prado e o Reina Sofia, o palácio e os jardins. Deixou o metrô na estação Goya. Termômetros a quarenta graus. Desceu a avenida e virou à esquerda, rápido. Esforçou-se para não ler o nome das ruas. Pegou mais duas esquerdas e atravessou uma galeria distraindo-se sem se deter demais em alguma vitrine. Na rua de novo, subiu rápido e virou à direita. Muita gente se acumulava em uma praça, o que dificultou a travessia. O esforço para esquecer colava-o à consciência. Num extremo da praça seguiu uma viela. Entrou numa bifurcação e seguiu reto por algumas quadras. Virou à esquerda no fim da rua. O ambiente já parecia um pouco diferente. Menos pedestres e ar de bairro residencial. Pegou mais cinco ou seis desvios, lento agora, e encontrou uma praça arborizada com um único banco no centro. Ao lado, um bebedouro. Matou a sede, sentou-se e concentrou-se em acalmar a respiração. Perdera-se em Madri.

madrid metro


6.12.04


a-men-do-im


5.12.04


Golpe único e preciso. Nenhuma chance de fuga.
Animal morto, esmagou a cabeça com duas marretadas adicionais. Um globo ocular rolou silencioso no soalho. Lamentou não ter destruído a cabeça no primeiro golpe, com o animal ainda vivo, quando a raiva primitiva latejava-lhe a alma.


4.12.04


Entrou rugindo, o leão, no picadeiro. Com pressa, tropeçou num balde d'água e assustou dois palhaços em monociclos antes de se trancar na jaula, sem atraso. Arfava cansado. Na hora exata, como ponto alto do espetáculo, atravessou com os dentes o tórax de mais um domador.


3.12.04


a-han, senhoras e senhores, mais uma do mágico que divide o camarim com o palhaço. a-han, quinta-feira é dia de quê? é dia de quê? é dia de mágica. é, senhoras e senhores, o mágico resolveu transformar isso em um blog e quinta-feira, a-han, blog, quinta-feira é dia de, de quê? de mágica. a-han, senhoras e senhores, blog pero no mucho, apresento a mágica mas não revelo o truque, é, senhoras e senhores, truque sem edição, escrevo enquanto penso, muito rápido, truque online hi-tech, quinta-feira, é ir e... e? e encontrar a mágica, a mágica anda por aí. senhoras e senhores, vocês não estão vendo? é este o truque, só funciona comigo. e sem palavras mágicas. e sem maiores elaborações. e sem dopar a platéia. senhoras e senhores, eu. a-han, eu. loucura, senhoras e senhores, loucura, apresento mas não espero que acreditem, estou vivo, truque fabuloso, não explico, não quero que expliquem, palavras, não, palavras ditas, pouco pensadas, senhoras e senhores, eu lhes apresento a mágica. perceberam? é um truque, não é de verdade. perceberam? só é de verdade para mim. senhoras e senhores, a-han, sexta-feira vai chegando, há quanto tempo não escrevia simplesmente. escrevo agora, senhoras e senhores, quinta-feira, um truque e só. a-han, agradeço e vou.








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