O Mentiroso foi escolhido como o melhor texto de 2002 pelo júri do Projeto Nascente - USP.
Tony Monti é paulista. Lê e escreve. Contrariando as previsões mais otimistas, terá trinta anos antes do fim da década. Quando você telefonar para sua casa, ele estará dormindo. Em seus sonhos, ainda mora na casa onde passou a infância. Não pretende mudar, por enquanto.
Hasta la hora del ocaso amarillo
Cuántas veces habré mirado
Al poderoso tigre de Bengala
Ir y venir por el predestinado camino
Detrás de los barrotes de hierro,
Sin sospechar que eran su cárcel.
Después vendrían otros tigres,
El tigre de fuego de Blake;
Después vendrían otros oros,
El metal amoroso que era Zeus,
El anillo que cada nueve noches
Engendra nueve anillos y éstos, nueve,
Y no hay un fin.
Con los años fueron dejándome
Los otros hermosos colores
Y ahora sólo me quedan
La vaga luz, la inextricable sombra
Y el oro del principio.
Oh ponientes, oh tigres, oh fulgores
Del mito y de la épica,
Oh un oro más precioso, tu cabello
Que ansían estas manos.
27.9.04
Tigre (Amelia Biagioni)
En la curva del salto
rujo
Vil cazador
aún no ha nacido el rey
que ha de contar mis manchas.
Yo estoy
dentro del bosque
dentro del tiempo.
Y él
afuera
temiéndome
sentado sobre mi piel.
26.9.04
El tigre (Jorge Luis Borges)
Iba y venía, delicado y fatal, cargado de infinita energía, del otro lado de los firmes barrotes y todos lo mirábamos. Era el tigre de esa mañana, en Palermo, y el tigre del Oriente y el tigre de Blake y de Hugo y Shere Khan, y los tigres que fueron y que serán y asimismo el tigre arquetipo, ya que el individuo, en su caso, es toda la especie. Pensamos que era sanguinario y hermoso. Norah, una niña, dijo: Está hecho para el amor.
24.9.04
El tigre (Pablo Neruda)
Soy el tigre.
Te acecho entre las hojas
anchas como lingotes
de mineral mojado.
El río blanco crece
bajo la niebla. Llegas.
Desnuda te sumerges.
Espero.
Entonces en un salto
de fuego, sangre, dientes,
de un zarpazo derribo
tu pecho, tus caderas.
Bebo tu sangre, rompo
tus miembros uno a uno.
Y me quedo velando
por años en la selva
tus huesos, tu ceniza,
inmóvil, lejos
del odio y de la cólera,
desarmado en tu muerte,
cruzado por las lianas,
inmóvil, lejos
del odio y de la cólera,
desarmado en tu muerte,
cruzado por las lianas,
inmóvil en la lluvia,
centinela implacable
de mi amor asesino.
23.9.04
The Tyger (William Blake)
Tyger! Tyger! Burning bright,
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?
In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand dare seize the fire?
And what shoulder, and what art,
Could twist the sinews of thy heart?
And when thy heart began to beat,
What dread hand? And what dread feet?
What the hammer? What the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? What dread grasp
Dare its deadly terrors clasp?
When the stars threw down their spears,
And water'd heaven with their tears,
Did he smile his work to see?
Did he who made the Lamb make thee?
Tyger! Tyger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?
22.9.04
EL TIGRE (Eduardo Lizalde)
Hay un tigre en la casa
que desgarra por dentro al que lo mira.
Y sólo tiene zarpas para el que lo espía,
y sólo puede herir por dentro,
y es enorme:
más largo y más pesado
que otros gatos gordos
y carniceros pestíferos
de su especie,
y pierde la cabeza con facilidad,
huele la sangre aun a través del vidrio,
percibe el miedo desde la cocina
y a pesar de las puertas más robustas.
Suele crecer de noche:
coloca su cabeza de tiranosaurio
en una cama
y el hocico le cuelga
más allá de las colchas.
Su lomo, entonces, se aprieta en el pasillo,
de muro a muro,
y sólo alcanzo el baño a rastras, contra el techo,
como a través de un túnel
de lodo y miel.
No miro nunca la colmena solar,
los renegridos panales del crimen
de sus ojos,
los crisoles de saliva emponzoñada
de sus fauces.
Ni siquiera lo huelo,
para que no me mate.
Pero sé claramente
que hay un inmenso tigre encerrado
en todo esto.
20.9.04
para quem acredita em sarau
Rogério Nogueira convida:
Denominado Sarau do Elo Incandescente, o encontro será organizado pelos poetas Rogerio Nogueira e Everaldo Ygor (Cicloesia - bicicletada poética e Sarau do Trem). O evento acontecerá toda última sexta-feira do mês. Sessão: 24 de setembro, das 19h30 às 21h30.
Temática: caleidos e labirintus
Convidada Especial: Dedê Paiva
Rua Gal. Jardim, 660 - próximo ao Sesc Consolação e à BIJ Monteiro Lobato
19.9.04
lugares comuns caminho
beco sem saída
esperança
místico
escuridão
caixa preta
há um ponto a partir do qual o óbvio não guia mais o homem
depois deste ponto, entender o mundo deixa de ser trivial
caminha-se sem enxergar os caminhos
o beco sem saída e o caminho escuro são iguais
a não ser pela esperança de quem anda
a vertigem abraça o místico
também pelo avesso
o mundo acaba logo ali, três metros depois do último passo
como o beco
e caminha conforme o homem caminha
três metros à frente e três metros atrás
17.9.04
bagunça Na contracapa da Ficções, conferi o que o Julián já tinha me dito, que um tal de Machado de Assis é nosso novo companheiro de Coleção Rocinante. Esse Machado não perde a esperança mesmo! Faz uns anos, a Folha de São Paulo enviou o seu "Casa Velha" (o livro a ser publicado na Rocinante) para diversas editoras e nenhuma aceitou publicá-lo. Finalmente o rapaz conseguiu sua publicação. Será que ele dividiu os custos da edição com a editora?
Ficções A editora me mandou dois exemplares da última Ficções. Que surpresa ver que meu amigo Huendel Viana tem dois continhos publicados quase colados ao meu!
pessimismo de fundo Não acredito que sejam grandes as possibilidades de haver mudanças sociais no país. Em grande escala, as mudanças se perdem na inércia do mundo. É como o "Mundo Grande" do Drummond. Enorme. O que é um homem frente ao Mundo Grande? Acredito na construção em pequenas escalas, pequenos grupos de pessoas boas e interessantes. Acredito em abraço, já disse. Tem algo que me prende à vida e eu acho que é essa possibilidade de conhecer gente legal e dar um abraço e contar uma história. Não é política partidária. Não é essa a minha religião. Não se sabe o que é um Estado, ninguém sabe, o Público no Brasil é desorganizado demais. Mas simpatizo com algumas pessoas que têm a política partidária como integrante mais profundo daquilo que os prende à vida. O Carlos Giannazi é um cara legal e é por isso que eu coloquei propaganda dele aqui embaixo. Mais informações, no site dele.
14.9.04
ontem quem foi ao multi-lançamento no Balcão pra me contar como estava?
13.9.04
e uma média caprichada pra mim tenho gostado de escrever quase nada aqui além de mudar os títulos do blog. notem: oS títulos, porque há dois. aquele ali em cima e o título da janela do computador. "autopromoção" e "e uma média caprichada pra mim".
12.9.04
Lançamento da Ficções Conforme já havia informado (há um folder ali embaixo), amanhã, segunda, será lançado mais um número da Revista Ficções em São Paulo. Há um conto inédito meu na revista. Chama-se "Ana".
Infelizmente não estarei presente. Espero que a festa seja legal.
11.9.04
atividades com potencial febrilizante:
- jogar xadrez pela internet
- escutar em idioma estrangeiro (italiano e espanhol são os mais radicais, seguidos de inglês e francês. ainda não testei o húngaro, nem finlandês, nem iuit)
- trabalhar
"Capinha áspera comanda
Vale a pena dar uma conferida nesta nova Coleção Rocinante da editora 7 Letras, hein. Em cerca de um ano já tem uns quinze livros, todos fininhos e com uma edição despojada mas muito bem cuidada e agradável, com capa áspera impressa em papel cartão invertido e diagramação limpa e legível. O projeto editorial mistura clássicos com autores novos, sendo parte considerável deles inéditos. A editora tem conseguido selecionar gente bem interessante. Dentre os que li, destaco dois contistas até então inéditos, Tony Monti com seu "O Mentiroso" e Tiago Novaes Lima com "Subitamente: agora". São típicos "livros de estréia", ambos contendo um bom punhado de ótimos contos. O Tony eu encontrei pessoalmente em duas ocasiões, no lançamento do meu livro em São Paulo, onde fizemos escambo, e depois na FLIP. O Tiago tinha enviado seu "Subitamente: agora" para a Livros do Mal. Foi um dos melhores originais que recebemos em muito tempo, mas como a editora está temporariamente estagnada uma publicação nem chegou a ser considerada. Fiquei feliz de ver o livro dele na Rocinante."
8.9.04
conto meu na Ficções Estão todos convidados - só não apareço lá se a febre não passar.
6.9.04
deu febre,
rápido assim,
trabalho não é pra mim?
5.9.04
eu histriônico e narcisista
3.9.04
foi cinqüenta e quatro páginas impressas. sei não. poderia ter sido melhor, bem melhor. antecedência recorde: ainda tenho quase três horas para tomar um banho, comer alguma coisa, ir até a USP, tirar as cópias necessárias e entregar tudo no departamento. é, parece que deu tempo.
2.9.04
motivos pelos quais eu, um dia, procuro um analista (1, 2, 3, 4 e 5) - porque eu tenho a tendência a querer conquistar o mundo
- porque tenho certeza de que o dinheiro que eu tenho não é suficiente para pagar um analista que me ajude a conquistar o mundo (sociedadezinha ridícula, essa nossa)
- porque eu digo "conquistar o mundo" e ninguém entende o que eu quero dizer... juro que é coisa normal
- porque eu me sinto mal de perder uma parte do mundo já conquistada
- porque, apesar de tudo, não acredito demais nos motivos acima, só às vezes
(ou são motivos para não procurar analista? nem ninguém?)