e X a t o a c i d e n t e
Tony Monti lê, escreve e apaga
2007

Capa de o menino da rosa Capa de O Mentiroso








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*************** blog novo *************

*** Este blog está em novo endereço ***

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31.8.04


desangústia

dias intensos
quando eu finalmente
repousar como quero
o silêncio

toda visão
estará distante
como dentro de mim
o indivisível

mergulhado até o nariz
em água morna
no ar morno

não sinto falta
(de) amor e liberdade
são repouso para depois


o silêncio das árvores crescendo é outro
não é calar-se no exato momento
nem é a nudez das estátuas sem sexo
o silêncio das árvores
não é verde
nem verde como árvores em silêncio
o silêncio das árvores crescendo é
as árvores crescendo são
as árvores

ana dorme de olhos fechados
sozinha
coberta
num quarto escuro
numa casa vazia
num bairro vazio
ana está nua

(árvores no jardim)


30.8.04


you can't always get what you want


29.8.04


não, não foi só porque eu quis,
não me acuse de deus,
fosse só por mim seria outro o mundo,
não é,
fosse por mim ontem seria outro.


só sei olhar para mim,
não é assim com todo mundo?


não, não é amor, agora é o silêncio das árvores o nome do texto aí embaixo


27.8.04


amor (o silêncio das árvores)

Por anos as árvores cresceram em silêncio. Houvesse um enorme aquário no apartamento de cima, seria o mesmo. Houvesse nada, seria o mesmo. Ontem começou a poda. As motosserras tremem o prédio todo em mim. Liga, desliga. Na minha cabeça. Fim da manhã. Descabelado e com olheiras caricatas, andava de um lado a outro. Sair já não faria sentido: Ana chegaria em duas horas. Não dormi de novo (hoje tenho um motivo - a motosserra -, mas não se trata de ter motivos). Quantos dias ainda?

Liguei o chuveiro e tentei apagar atrás da cortina de água. Uma hora de sono me daria, imagino, equilíbrio para não me dividir em pedaços cortantes demais. Nem um minuto consegui.

Desliguei o chuveiro, deixei nu o banheiro e tirei a caixa da pistola da cômoda. Ana Paula não gosta quando eu mato gente. Eu subiria as escadas, arrombaria a porta e daria todos os seis tiros. Voltaria e esperaria Ana, dormindo.

Vesti qualquer coisa ainda molhado e preparei a arma. Busquei raios de lucidez no sono que me tomava. Quando pus os pés fora do apartamento, Ana descia a escada com o tigre. Linda. O tigre brincava com correntes e pedaços de metal. A cada dois ou três segundos, lambia os beiços manchados de sangue. Só então notei que o barulho cessara.

Ana, num abraço, recolheu meu medo e meu sono.

Antonio, querido, não se preocupe. O tigre fica aqui fora hoje. Vamos dormir.


25.8.04

23.8.04


a casa
chama-se agora "outras geometrias". ainda não sei o porquê. logo imagino uns motivos para dizê-los. o fato é que a partir de agora mudou tudo. dá pra perceber?


21.8.04


Ana é uma moça organizada. Tem duas bolsas. Na grande vai tudo. Na pequena, só o necessário: dinheiro, documentos, batom vermelho, a foto do cachorro, o São Jorge e o trevinho seco.
Ana não sai de casa sem uma bolsa. Fica perdida. Fica desprotegida.
Da cama de Ana, vê-se as duas bolsas penduradas com tudo lá dentro. Eu vi.


19.8.04


blog do miguel


liberdade
Fui assistir ontem a um debate com escritores. Avenida Paulista. Uma pequena fila se formou na entrada para a retirada de ingressos. Eu na fila. Um rapaz de uns quarenta anos andava de um lado para outro olhando. Aproximou-se de mim e perguntou: essa fila é para que, hein? Para assistir um debate, eu disse. Hmm. Continuou andando ali por perto e voltou em um minuto. É sobre o que o debate, hein? Literatura. Certo. Entrei, assisti ao debate e, ao fim, quando fui dizer tchau a um pessoal, estava o rapaz conversando com o Marcelino Freire.


18.8.04


Sarau do Claudinei
O impagável Claudinei Vieira organiza um sarau para o próximo sábado na Livraria da Esquina - Rua Caetés 489 (esquina rua Caiubí), na Pompéia. Até eu, que não acredito em sarau, talvez apareça. Segundo o Claudinei, vai estar cheio de escritor bom lá (pra quem gosta de texto bom) (e até uns famosos, pra quem tem fetiche por isso).


17.8.04


mil novecentos e noventa e nove
kasparov, melhor jogador de xadrez em décadas, talvez em séculos (o que cobre toda a história do jogo) estará no brasil nos próximos dias. com dois mil reais, aperta-se a mão dele e joga-se uns lances. dois mil reais, ele joga com cem ao mesmo tempo e, por exigência contratual, só aceita ser desafiado por jogadores com rating (pontuação do ranking) menor que 1999 (traduzo: pato). comércio. o cara vai a um lugar, ganha 2000 reais de cada um dos 100 desafiantes e nem precisa jogar, já que os desafiantes não sabem mesmo jogar. duzentos mil reais e nada acontece. duzentos mil reais e um cara sai do outro lado do mundo, dá a mão a cem desconhecidos e volta.

há também a possibilidade de pagar 300 reais e jantar com o homem. melhor: nem precisa jogar xadrez e ainda come em restaurante de luxo.

nada, nada, dinheiro em trânsito.


15.8.04


novo blog
agradeço as sugestões de nomes para o blog novo. continuo recebendo. e agora recebo também indicações de templates interessantes. quem souiber de um blog bonitinho, com pouca figura, uma coluna de texto, mais uma de links (ou pouco mais que isso) e quiser indicar... - quero copiar um template legal para meu novo blog.

quem souber, também, de um blog bem escrito, legal, tô a fim de copiar uns textos também. porque da minha cabeça sai nada.

(o bom de ter um blog novo vai ser poder publicar mais uma vez tudo o que eu já publiquei)


10.8.04


não, o filme é legal, eu disse outra coisa?


aproveitem enquanto eu não tirei os comentários do ar
esse blog vai mudar (se não acabar) e preciso de um nome novo. chega de "mentiroso", de que eu nunca gostei mesmo. quero sugestões. podem sugerir, eu deixo. e, é claro, não vou aceitar sugestão alguma. vou inventar, depois, eu mesmo um nome.


se não viu, não leia - eu não leria (porque eu sou mesmo muito chato)
*post editado - eu edito todos os posts (quando não os apago), alguém já percebeu isso?

Eu vi o filme. Brilho eterno de uma mente sem lembraças. Gosto tanto do título em inglês, spotless mind é ótimo. O principal, Jim Carrey não me irritou demais. Mais três filmes assim e eu iria ver o seguinte sem esperar que ele fizesse uma careta a qualquer momento. Foi bem. Kate Winslet também. O roteiro é interessante, como todo mundo tem dito, não mais que isso. A idéia central (pare de ler agora) dá margem a milhões de perguntas outras, como, por exemplo, o que pensariam as outras pessoas que conheciam o casal. É para isso que serviam aqueles bilhetinhos no começo do filme? Hmm, sei não. A idéia de parte da ficção de fantasia é mudar uma característica no universo e manter tudo até o final num universo que é parecido com esse que chamamos de nosso, a não ser pela mudança inicial. Mas eu fiz perguntas que não deveria ter feito, isso não é bom. Questionei o pacto de verossimilhança. A história da superfície, essa que todo mundo vai comentar como sendo o motivo de o roteiro ser bom, achei média. A estratégia de esconder a história de amor no roteiro confuso é interessante. Me emocionei com a historinha do casal. É um filme que beira o melado. Bom, roteiro bom, não mais. Bom principalmente pela tentativa de ser diferente, intenção de voar alto, de perder o chão.

Gostei foi da filmagem ela-mesma, das tomadas de câmera, dos cortes, dos efeitos sonoros (e das musiquinhas) que acompanhavam as cenas mais malucas. Enfim, gostei. (tecnicamente, sei nada de cinema)

Sempre curioso é o cinema na segunda-feira de tarde. Havia umas quinze pessoas na sala, treze solitários (eu) que entraram, não se comunicaram uma vez e saíram. Um casal também.

E tem aquela sensação de sair do cinema e voltar ao mundo com as regras antigas, olhar para as pessoas e saber uma coisa que elas não sabem. Se em duas horas é possível sair com essa sensação, o que é possível com uma vida de idéias e cultura te bombardeando? Não, não sabemos coisa alguma, só o que inventaram para a gente e o que nós mesmos inventamos.


9.8.04


Comentários -


7.8.04


dica da nara
muito boa a entrevista com o João Gilberto Noll, no NoMínimo.


6.8.04


desdobrando assuntos futuros
adoro comentar filmes com os amigos, mas prefiro (dependendo do tipo de comentário) que seja depois de eu assistir ao filme, não antes. acho que isso tinha ficado claro, não? uma vez fui assistir a certo filme no cinema. um dia antes, um amigo me alertou "presta atenção na cena do suicídio no banheiro". passei metade do filme esperando as pessoas entrarem no banheiro. e a outra metade (depois do suicídio), pensando no assunto de já saber que ele aconteceria. prefiro não saber. (não digo o nome do filme, melhor)


cadeia
estou escrevendo uma história sobre gente presa. não é uma cadeia e não é por isso que eu dei o título ao post (antes de escrevê-lo), mas assim vou justificar, porque achei que uns assuntos emendados, assim, precisam de um título. achei e talvez não ache mais depois.

antes de dormir, ontem, estive no lançamento das primeiras tabuinhas do Na TáBUA. legal. o pessoal lá. teve patusco que foi direto do pantanal pra bagunça. e lá estavam o julián e a fernanda. do julián, li o fragmentos de alberto, ulisses, carolina e eu, na terça, depois de chegar em casa do lançamento dele. e gostei.

na mercearia, também ontem, falamos sobre essa vida digital. pessoas que se comunicam cada vez mais e ficam cada vez mais distantes. umas pessoas. posso continuar sendo óbvio? a linguagem aproxima um do outro, o objetivo é aproximar, não é falar. se basta falar, e encher caixas postais e blogs e orkuts e ... aproxima-se o fim. uma imagem do fim, ou da solidão. e, na ambição irrealizável de acabar com a internet, queria acabar com o orkut, depois com meu blog e todos os blogs. o primeiro passo seria acabar com os comentários do blog. eu, um fascistinha*, tirando o direito de as pessoas se expressarem. hm? segue o blog, por enquanto. e os comentários.

em paralelo, uns pensamentos recentes. há quem escreva para produzir texto (livros), há quem escreva como prática existencial. no segundo caso, o foco é a pessoa. no primeiro, (fetiche pel)o livro, (pel)a informação. coisas assim. mais informação e menos eu. encontrei, no caos do texto, de novo a cadeia.

e acabo de notar o porquê de eu não acabar com o blog de um dia para o outro. é que eu adoro escrever sem usar maiúsculas. delícia, delícia. fascista é a linguagem, alguém disse, quem foi? barthes?

lacônico, lacuna, lagoa. hm. encadeia-se assim também.

* tô pensando agora (horas depois de escrever o post), jamais diria "fascistinha". essa palavra não é minha. talvez eu dissesse "fascistinha linda" ou "fascistinha ordinária" (este para dizer algo que não o sentido ordinário das palavras). ou agregasse um palavrão ao "fascistinha". "fascistinha" precisa de um adjetivo. (encadeada mais uma inconsistência)


4.8.04


o silêncio dos inconstantes
como não tenho nada a dizer, adianto o que vou dizer depois.

sabe o que eu vou dizer depois de assistir a esse filme com o jim carrey? que ele foi muito bem dirigido. não é isso o que dizem sobre a nicole kidman no dogville? pois então: eu não vou com as caretas do cara. não vou gostar do filme por causa dele. se gostar: foi bem dirigido.

aliás, como eu não leio jornal, não leio revista e não deixo os amigos dizerem nada sobre os filmes que estão em cartaz - ou quase nada, só se gostaram ou não, pouco mais -, não sabia que o dogville tinha elenco "americano" até passados uns minutos de filme. meia hora de filme e eu desconfiei que conhecesse aquela moça bonita, grace. mais uns minutos e percebi que era a nicole kidman.

em literatura, tenho pouca chance de começar a ler uma história sem saber alguma coisa sobre ela. os livros vão me cercando, as pessoas vão dizendo. eu leio sobre o que eu leio. já que nos livros, as coisas vão ficando complicadas, esforço-me para manter as supresas pelo menos em cinema. a primeira cena do dogville, a nicole kidman no papel principal.

e, como não roubaram o filme, nicole kidman e tom cruise, em de olhos bem fechados, a gente diz que o kubrick escolheu dois maus atores de propósito, para dar mais força ao filme. nesse caso, a gente diz que o diretor preferiu que as atuações não fossem tão boas. não entendo bem essa história, mas, de vez em quando, também eu a repito. para mim, eles não comprometeram. não é o tom cruise de magnólia nem a nicole kidman dodogville. nem o kubrick de laranja mecânica, sem que o filme deixe de ser ótimo.


tudo quarta-feira por aqui


3.8.04


havia aqui uma imagem que tornava tudo tão lento ...








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