e X a t o a c i d e n t e
Tony Monti lê, escreve e apaga
2007

Capa de o menino da rosa Capa de O Mentiroso








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*************** blog novo *************

*** Este blog está em novo endereço ***

*** visite: http://www.tonymonti.wordpress.com ***





31.5.04


sanduíche de anzóis
Elrodris, que não é Paulo Scott, acaba de escrever algo sobre O mentiroso em seu sanduíche.


30.5.04


Aos meus amigos de bom senso
Acabo de ser chamado de louco. Eu sou louco?


o fim
Estava realmente agradável o fim de semana. (Se alguém quiser me contratar como entrevistador: gostei da brincadeira. Esqueci de dizer, Miguel Duclós é consagrado DJ aqui em São Paulo. Agradeço aos que mandaram notícias neste dia 30.) Até que vi a Mel Lisboa em uma revista e me deprimi. Passa quando acordar amanhã ou se acontecer uma mágica ainda hoje.


29.5.04


Eu adoro meus amigos: Miguel Duclós
Na quinta, eu liguei para o Miguel e ele disse que estava com sono, que a gente precisava marcar algo para o fim de semana. Na sexta de tarde, ele me ligou e disse que estava indo morar em Florianópolis. Pegaria o ônibus no mesmo dia. O Miguel é o cara mais religioso que eu conheço, mas ele diz que não. Talvez seja um problema com as palavras, talvez o que eu chamo de religioso, ele chame de moral, ou ético. Nunca saberei. O Miguel é doce, mas só se se insiste na degustação. Fiz uma entrevista com ele, mas ele não escorrega nas minhas provocações de boteco. Mantém-se rigorosamente religioso (à terceira potência). Tem também Miguel ali no consciencia.org. Miguel, boa sorte lá (aí) em Florianópolis. May the force be with you.


meus amigos
Acho que a Nara quer virar sex symbol. O sucesso agora é inveitável. Na entrevista, agora, novas fotos de Nara Sano. E estou esperando o Zé e o Stanis me mandarem fotos para eu colocar aqui. E o Miguel também, que é o próximo entrevistado.


28.5.04


Eu e meus amigos
Mais difícil que eu só meu amigo Stanis, com quem tive mais de uma vez o seguinte diálogo pelo telefone:
-E aí, tá ocupado?
-Tô.
-Tá fazendo o quê?
-Mudando de canal.


27.5.04


Eu adoro meus amigos: Zé Medeiros
O Zé é foda. O Zé sabe das coisas. Tenho a impressão de que os pontos em que nós discordamos são aqueles sobre os quais eu ou ele não conseguimos nos expressar bem. Em geral, concordamos (eu concordo com ele). O Zé tem sempre uma citação exata para o momento. O Zé tem um mecanismo psíquico fantástico que o faz às vezes se sentir culpado pelas dores do mundo. O Zé perde no xadrez para mim porque acha, antes de o jogo começar, que vai perder. O Zé é gente fina. E há uma entrevista com ele está ali na coluna da esquerda. E nenhuma foto do Zé.


26.5.04


Eu adoro meus amigos: Nara Sano

Com a Nara não tem erro. A Nara nunca dá mancada. Só com ela. Dos outros, ela cuida direitinho. Quando a gente se conheceu, a segunda pergunta que ela fez foi: "você tem blog?". Assim foi meu primeiro contato com o mundo encantado dos posts. Já li elvira quer romãs, pimentas e bitter times (que, na minha cabeça, chama-se bitterness, para se opor ao sweetness, dos Smiths). Como se chamava o blog anterior mesmo, Nara? tomate gritante? A Nara é minha amiga e com ela não tenho restrições. Umas divergências, talvez. Ela adora o Bon Jovi. Restrição seria se ela amasse o Skid Row. E como a Nara é linda, coloco uma foto dela aqui, roubada, para aumentar a audiência d'O mentiroso.

Fiz uma entrevista com a Nara e coloquei um link ali na coluna da esquerda.


Simetria
Ana, antes de sair de casa, belisca ambos os mamilos sob a blusa semitransparente.


25.5.04


a vida quase sempre continua


genealogia
Por parte de mãe sou Rosa, mas não herdei o nome. Dos Rosa de Minas. Tony Rosa Monti seria eu. Ou montirosa, o que é o contrário do que seria. Brincar com palavras é muito perigoso.


24.5.04


Já havia visitado o Prado e o Reina Sofia, o palácio e os jardins. Deixou o metrô na estação Goya. Termômetros a quarenta graus. Desceu a avenida e virou à esquerda, rápido. Esforçou-se para não ler o nome das ruas. Pegou mais duas esquerdas e atravessou uma galeria distraindo-se sem se deter demais em alguma vitrine. Na rua de novo, subiu rápido e virou à direita. Muita gente se acumulava em uma praça, o que dificultou a travessia. O esforço para esquecer colava-o à consciência. Num extremo da praça seguiu uma viela. Entrou numa bifurcação e seguiu reto por algumas quadras. Virou à esquerda no fim da rua. O ambiente já parecia um pouco diferente. Menos pedestres e ar de bairro residencial. Pegou mais cinco ou seis desvios, lento agora, e encontrou uma praça arborizada com um único banco no centro. Ao lado, um bebedouro. Matou a sede, sentou-se e concentrou-se em acalmar a respiração. Perdera-se em Madri.

madrid metro


Do caderno de definições
Escrever não é isso.


embuste
Eu sou mesmo um embuste.


Ao lago não se chega pelo rio. Chega-se pelo alto. No lago, joguei uma carne, um fígado sem serventia para colher as planárias que não plantei. Sem pára-quedas, no lago, vive-se bem. O plano é apoiar a planta dos pés devagar e não assustar os bichinhos. Vermes só são margaridas na medida do possível. Recolhi comida e fome juntas. Um urubu não faria melhor.


23.5.04


Copos
A promoção copos a mais d'O Mentiroso foi um sucesso. Mas a hostess Ana Paula Furona Copos a Mais não foi.


superatleta
Passei a tarde de sábado praticando esporte. Joguei seis partidas. Ganhei cinco. E um cheque de cinqüenta reais.


JD
Eu sou James Dean.


22.5.04


copos num bar
Atendendo a pedidos. Estão todos convidados para tomar uns copos no Dedé (Escócia Burger - em frente ao Espaço Unibanco). Acho que chego lá, sábado (hoje? hoje!), umas oito e pouco. A hostess Ana Paula Copos a Mais receberá todos bastante bem. Ana, se eu atrasar, vai fazendo as vezes da casa. Certo, Ana? Espero que você leia isso antes das oito. Quem quiser confirmar, me liga. E vocês podem ir combinando tudo aqui nos comentários. Eu vou sair cedo e não lerei nada antes de ir aos copos.


21.5.04


relatório
Diários de motocicleta é bonito, talvez um pouco romantizado demais, mas bom. Ser e ter é bem gracioso e apresenta um mundo um pouco diferente desse mundo corrido a que estamos acostumados. Picasso na Oca é bom porque é raro ter a chance de ficar cara a cara com esse tipo de obra. Mas a exposição é pequena, mal explicada (pintura moderna precisa de explicação) e os textos são mal cuidados e mal traduzidos. Ainda, na saída, tudo parece um mercado Picasso. Desagradaram canetas de quinze centavos a três reais, calendários de mesa, de papel, sem imagens a três reais (confundi os preços?). E hoje, Kill Bill foi médio. Para mim, inferior aos Taratinos anteriores. Sugestão: Diário de motocicleta e Ser e ter.


acontecimentos vazios como sonhos cheios (IV)
Estávamos sóbrios quando vimos nos paralelepípedos do calçamento da rua o sexo hexagonal e a suruba infinita. Itanhaem teve dessas mágicas. Economizávamos água indo todos em seqüência ao banheiro e dando uma só descarga. Corríamos de olhos fechados e mãos dadas na praia. Bebíamos caipirinha de manhã para lavar o quintal. Éramos todos muito iguais em Itanhaem.


20.5.04


vão em cacos
arrogância fineza superioridade magnanimidade paciência altivez indiferença confiança
mau uso do cérebro


verde
Muito bom escrever umas palavras sem sentido de vez em quando. Ou escrever umas palavras com muitos sentidos. É igual horóscopo. Cada um que acredita em horóscopo lê como quer. Quem aí acredita em horóscopo?


19.5.04


a esfinge faz palavras cruzadas
Ter que acabar um mestrado tem me deixado pouco tempo para ser livre como a literatura demanda. O mal da finalidade. Se conseguir aproveitar a disciplina que tenho descoberto em mim, quando o tempo e a liberdade puderem ser meus de novo . . . Não, não, meu atual estado, organizado, não me permite imaginar algo que seja aqui e ali ao mesmo tempo. Depois, só depois do mestrado Batman e Bruce Wayne irão juntos à mesma festa, ao mesmo tempo. (certo, augusto?)


confundi umas coisas


vaidade
Quanto de vaidade há em escrever um blog? Em escrever um livro? Em ser artista? (vaidade é uma palavra complicada)

Não me lembro da frase exata, só da idéia - "o ator é aquele cara que, numa roda de bate-papo, está entediado enquanto o assunto não é ele mesmo" (Marlon Brando). Acho que dá para substituir "ator" por "artista". Há maneiras bem sutis de falar de si mesmo. Se falar de si mesmo é ser autêntico, ser artista me parece bastante razoável. Agir como todos agem é ser escravo da alma dos outros. O artista, nesse sentido, é aquele que tem alma própria.


18.5.04


acontecimentos vazios como sonhos cheios (III)
Uma amiga minha queria muito beber água mas só tinha suco de uva. Colocou o suco no copo e esperou o sólido decantar. Até ter vontade de beber suco. Antes de beber, adiciounou duas pedrinhas de gelo e notou que, conforme o gelo derretia, o suco ia virando água. Adicionou então todo o gelo que tinha, o que resultou em uma jarra enorme cheia água rosada. Bebeu tudo. A sede, só ela, passou.


17.5.04


crianças
Não faz muito tempo, meu amigo Stanis tinha aquela infantil felicidade com a repetição. Tínhamos uns dezesseis anos. Pedia para eu lhe recontar a piada que ele já conhecia. Ele gostava mesmo era de duas ou três. Ria pouco com piada nova. O Stanis casou e em poucos meses poderá contar as piadas, ele deve se lembrar melhor do que eu, para o bebezinho que ele fez.


ernesto
Não sei muita coisa de Ernesto Guevara. Não sei se o filme de Walter Salles é fiel à vida do jovem Che. Se for, Ernesto era desses caras especiais que dão sentido às coisas sem ofender o caos. Ficção ou não, fez-se um filme bonito demais.



15.5.04


A Nara me entrevistou. Taí:



Tony Monti publicou um livro antes de ter um blog. Formou-se em Letras e, cansado das crises existenciais e materiais resultantes de tal formação, abandonou tudo e resolveu ser o maior engenheiro químico da atualidade. Aproveitou também o seu talento como cozinheiro para se tornar chef de um dos mais sofisticados restaurantes da cidade, abandonando de vez o hábito de jogar xadrez, atividade que quase lhe custou um olho (quando o adversário, perplexo diante de jogada tão mal feita, resolveu lhe atirar uma torre). Não suporta ouvir Beatles, prefere o pagode do Só Pra Contrariar (da época do Alexandre Pires, porque agora está um lixo, segundo ele). Por causa de uma alergia, só pode comer peixe - frango e carne bovina não fazem parte de sua dieta. Tony não mente. Nem eu.



"O Mentiroso" é o nome do seu primeiro livro. Quando publicar o segundo, o nome do blog vai mudar?

Eu não gosto do nome "O mentiroso". Gostei por um momento, quando o livro era uma sequência de páginas sem título. Achei que devia dar um nome para o conjunto antes de mandar para o Projeto Nascente. Coloquei o título num dia e me arrependi no outro. Mas já tinha deixado as cópias com eles. Aí o livro foi circulando, ganhando elogios (inédito, ainda). Deixei o título. Mandei para as editoras. Foi publicado. Aí inventei de ter um blog. Deixei. É "O Mentiroso", o blog, por preguiça de mudar. Mas muda logo, sem depender de lançar outro livro.
Além disso, o título vinha, entre outros motivos, de uma idéia que me persegue ainda, que é a de que dizer é mentir, sempre. De que nossos motivos, quando ditos, são sempre mascarados, de que nossas motivações são anteriores à palavra. O mentiroso era pra ser mais ou menos isso. Mas "O mentiroso" é o filme do insuportável Jim Carrey.
Queria mudar para um nome no qual as pessoas percebessem que aquilo é meu rascunho, minha oficina, que o livro é outra coisa. Sou eu falando comigo, ainda. Depois, no livro, é que falarei com os outros.

Considerando que meta é o objetivo quantificado, você acha que atingiu a sua meta com o blog? :-)

Gostei de "meta é o objetivo quantificado". Eu não tinha uma meta tão clara assim, eu tinha vontade de experimentar. Com o blog, conheci gente, divulguei o livro, vendi uns exemplares. Bom, por isso. Mas sofro em me expor (e nem me exponho muito) sem saber a quem. Não sei quem lê o blog. De vez em quando algum semi-desconhecido me fala alguma coisa que eu escrevi lá e que era um tanto pessoal.
Escrever no blog é diferente de escrever no livro. No livro, tudo é mais bem revisado. Em livro eu escrevo histórias, nunca falo de mim (embora sempre fale de mim). Enfim, eu não tinha um objetivo quantificado. Consegui alguns objetivos qualificados.

Recentemente, seu blog foi indicado no Blogs of Note e, consequentemente, invadido por dezenas de pessoas se "autopromovendo". Como foi observar a rotina do seu blog ser alterada completamente, inclusive assustando aqueles que estavam acostumados à tranquilidade e serenidade de "O Mentiroso"?

Foi desagradável. Eu perdi o controle. Os comentários que interessavam se perdiam no meio dos demais. Fiquei imaginando qual teria sido o critério de quem escolheu colocar meu blog na listinha de indicados. E o que restou, ao que parece, foram umas três ou quatro pessoas. Dentro de uma multidão de uns 700 acessos diários que tive durante esses dias. Se por um lado parece pouco, três ou quatro leitores fiéis já é bastante dentro de supostos objetivos quantitativos.

Quando um blog incomoda muita gente?

Não sei, o meu não incomoda ninguém. (ou os incomodados já se retiraram). Um blog, acho, não incomoda ninguém, não, a não ser os que querem e gostam de ser incomodados. Eu escrevo um montão de bobagens e só quem parece querer discutir o assunto são os mesmos amigos que tomam cerveja comigo e poderiam discutir pessoalmente. E umas raras exceções. Eu não gosto de ler blogs. Leio os dos amigos por causa da falta que sinto de tê-los mais perto, pessoalmente. Tivesse os amigos perto sempre, não leria blog algum.
O blog incomoda a mim. Me sinto obrigado a escrever, de vez em quando, sem ter nada para escrever, porque sei que umas pessoas vão diariamente lá dar uma olhada. Tem algum blog que incomoda muita gente?

Qual foi a pior e qual foi a melhor crítica que você já ouviu/leu sobre o seu livro?

Por boa e ruim tomarei as que elogiam e as que depreciam. Quase ninguém fala mal do livro. Quem não gosta, fica quieto, o que acho um bom procedimento. Acho que a mais desagradável para mim foi a de um colega lá da FFLCH que leu o livro e escreveu oito páginas de comentários. Sentamos no murinho e ele, folheando o caderno, foi destruindo boa parte dos contos, um a um, com argumentos que ele julgava científicos. Eu tinha acabado de publicar o livro.
Quanto às críticas públicas, resenhas em jornais, revistas e blogs literários, foram todas pelo menos razoáveis. A maioria muito elogiosa. Algumas bem vazias - mas se elogiosas, eu as perdôo.
As boas críticas, guardo com carinho e poderia falar sobre elas um tempão. Tem a dos escritores, por exemplo. A Ana Miranda me mandou um e-mail, algumas semanas de livro publicado. Fiquei derretido. O Daniel Galera fez elogios consistentes e convincentes. Nelson de Oliveira e Marcelino Freire também elogiaram quando eu pensava que ninguém nem leria o livro. Houve outros (estes foram os primeiros). Dos amigos, gosto quando dizem que estão relendo.
Tem uma coisa, que não é exatemente elogio, que eu acho que são os melhores elogios. É quando o fato de a pessoa ter lido o livro faz com que ela se aproxime de mim. E acontece. É para isso que serve o livro, principalmente, é para isso que serve dizer as coisas. Para aproximar duas instâncias pré-verbais, aproximar o eu (que não consigo dizer) do eu da outra pessoa (que ela não consegue dizer). Quando percebo que isso aconteceu, esse é O elogio.
(Você perguntou de críticas. Hmmm. Não falei de críticas, falei?)


É saudável viver de literatura no Brasil?

Mais saudável que viver como britador. Viver de literatura, como trabalho, é ter um trabalho. Não difere. A atitude literária diante da vida é que faz alguma diferença. Gosto de gente que fantasia (e sabe que está fantasiando), que aceita a diferença, que gosta de ser surpreendida, que capricha o próprio existir, que tem paixões, que não se cala. Isso é viver de literatura, acho.
Quanto ao trabalho ligado à literatura, ele é nada valorizado. Isso é triste. O irmão de um amigo é dentista, formado na USP. Conversando com meu amigo, perguntei a ele há quanto tempo, ele achava, o irmão não lia um livro. Ele me disse: "não, ele lê, ele deve ler." Fomos ao irmão e ele me disse que tinha lido uns dois na época do vestibular.
Não acho que ler seja essencial para a vida, mas atitude literária (ou artística), essa eu não dispenso. Valorizo. (o que é só meu sistema de valores e quer dizer, a não ser para mim e para uns poucos, NADA).

O que você faria/diria se encontrasse o Jon Bon Jovi?
Telefonaria para você, Nara, e pediria as instruções.

De onde você veio? Para onde você vai?
Não sei de onde vim. Para onde vou, o futuro? Estou esperando um e-mail de uma amiga. O futuro é que o e-mail chegará. Hmm, vou para o Sarajevo hoje de noite. Não vou beber. Estou escrevendo um livro (ou dois). O que me angustia é ter que acabar meu mestrado (devia estar escrevendo minha dissertação e não essa entrevista). Ah, lembrei, vou entrevistar uns amigos. :-) Talvez você receba um questionário em breve.

Qual o seu lanche McDonald's favorito?
Gosto de todos, menos o Mac Fish. Comeria Mac Donalds diariamente.

O que não pode faltar na sua geladeira?
Porta. Ah, dentro? Catchup.


14.5.04


n ã o s e i n ã o s e r n o n a d a


Quinze mil acessos depois . .


13.5.04


Alguém aí, me sussurre algo impublicável.


acontecimentos vazios como sonhos cheios (II)
Você sorriu, eu vi. Não foi para você.


Hoje, a dois
Conversei com meu aparelho de CDs, pedi permissão, e depois de meses substituí um CD dos Beatles por outro que não fosse também dos Beatles. A trilha sonora hoje é Walter Franco. Amor vim te buscar em pensamento Cheguei agora no vento Amor não chora de sofrimento Cheguei agora no vento Eu só voltei pra te contar Viajei, fui pra serra do luar Eu mergulhei, ai, eu quis voar Agora vem, vem pra terra descansar Viver é afinar o instrumento De dentro pra fora De fora pra dentro A toda hora, a todo momento De dentro pra fora De fora pra dentro A toda hora, a todo momento De dentro pra fora De fora pra dentro A toda hora, a todo momento De dentro pra fora De fora pra dentro


Hoje, as coisas estão melhorando a cada dia
Que é que se faz com todo esse tempo? depois de acordar cedo tento dormido cedo, uma noite de sono perfeita depois de ter se alimentado bem, não ter bebido nem se desgastado fisicamente demais, nem de menos. O tempo sobra, quarenta minutos concentrado e escrevi página e meia. Tempo demais, preciso dormir, jogar conversa fora, fazer nada, ler inutilidades. Tempo demais.


Hoje, estou mais chato a cada dia
Contrato social: (1) não se deve cometer crimes (questões morais); (2) pode-se cometer crimes desde que se assuma as conseqüências (sanção legal). Exemplo: um rapaz rouba um carro, vai para a cadeia, cumpre sua pena e volta à sociedade. Sua culpa está zerada legalmente, mas está zerada numa apreciação dos demais membros do grupo social? Coversei sobre isso com umas pessoas próximas a mim e elas só conseguiram reconhecer, para determinadas infrações, a parte (2) do contrato. Fico imaginando que, talvez, a parte (1) do contrato (ideal) seja melhor internalizada quando a parte (2) (pragmática) funciona bem.


12.5.04


Leão-marinho de aquário
Porque eu gosto de Beatles e gosto do que o André Sant'Anna escreve e porque a Bestiário é legal. Passa .


Da série, antes sem nome,
acontecimentos vazios como sonhos cheios
Alguém passou correndo uma vez, duas, cinco. Passa correndo sempre a não ser que eu o pare e diga algo. Então esta pessoa responde feliz e segue com pressa seu caminho. Pessoas com pressa vão a algum lugar aonde eu não vou. Hoje não a segui mas amanhã ou depois talvez o faça.


11.5.04


Escrever bem é sexy?
Eu queria ser sexy, nem que, desde que os outros (as outras) acreditassem, tivesse que inventar isso.

Tem quem espalhe a idéia em em camisetas. * de um post de pensar enlouquece.


Foi pouco
Porque havia o mundo porque havia os outros. Porque falei de coisas você acreditou no dito e não viu meus olhos. Deu tempo de pensar. Da próxima vez tentemos o óbvio antes de expressá-lo. Antes de nos vermos ridículos antes de nos sentirmos culpados antes de nos perdermos no mundo antes de nos querermos corretos antes de nos acharmos sozinhos.


Sim, eu republiquei
Adal, nós poderíamos ser ainda mais amigos.
Zé Medeiros, intensidade, Zé, e foco.
Nara, há um tempo, inconstante não era eu. Agradeço a paciência.
Magarroux, quero (re)ver os aquários, as camisetas, os filmes, as fotos e as histórias.
Paulinha, durma bem, durma melhor.
André, eu gosto de ser assombrado.
Mari Toledo, você pode.
Miguel, abra os braços, respire fundo.
Lidia, você nem lê isso aqui? Pena.


10.5.04


Paixão
A mocinha guardou, guardou. Até que uma coisa guardada começou a incomodar. Jogou fora tudo o que tinha guardado de uma só vez. Começou de novo a guardar, guardar. Um dia, novamente, uma coisinha guardada desagradou. Jogou tudo fora de novo. Nunca suspeitou que guardar não era ter, nem era ser. E nunca aprendeu a guardar e desguardar aos poucos e aos pedaços.


9.5.04


Domingo
Domingo é assim por causa dos outros. Domingo é domingo pra tanta gente que acaba sendo domingo pra mim.


O cansaço
Cansei, cansei de ir vivendo, mas a alternativa angustia mais. Traçar planos e metas sem depender de aprovação do mundo dá certo? Dá certo querer o que não se pode? Ir vivendo não parece escolha, parece fraqueza. E o contrário não consigo.


É, André, até assombração faz falta.


8.5.04


Omiti uns detalhes
Omiti uns detalhes na história para não parecer mentira. Aliás, seria uma mentira horrível. Só tem algum sentido porque é verdade.


Sobre a perseguição
Antes de ser perseguido e assustado por Anas, eu já tinha sido perseguido. E fui lembrado disso ontem. Pela senhorita Ana Paula. Há uns vários anos, eu estava numa festa e conheci duas mocinhas, uma a Lara, outra a Larissa (que gostava de ser chamada de Lara). Como ambas estudavam na USP e eu também, acabei revendo as duas. Fiquei sabendo que a Larissa se chamava Larissa Lorena. Depois de uns dias, Lara me disse que se chamava Lara Lorena. Conheci duas Laras Lorenas no mesmo dia!! Conheci, talvez, as únicas duas Laras Lorenas do mundo no mesmo dia. Pois então, ontem, minha amiga senhorita Ana Paula me disse que estariam presentes na festa alguns amigos de Assis, e citou uma Larissa no convite. A Larissa Lorena é de Assis e suspeitei que fosse ela a moça. Não era. Era outra Larissa de Assis. Mas estudava onde? Onde? Em Lorena! Não há mais Larissas Lorenas no mundo e me mandaram, para me assustar, uma Larissa (que é chamada de Lara por algumas amigas), de Assis como a Larissa Lorena, que mora em Lorena e me foi apresentada pela Ana. Aliás, acabo de lembrar, medo, a Lara Lorena estava na festa com uma amiga, que depois conheci, a Ana. Cara, medo, agora sim, completo esse post depois de uns minutos, agora, a Larissa Lorena, a primeira, era amicíssima da Laurinha, como é que eu nunca percebi?, Laurinha Ana Laura Teixeira!


7.5.04


ana
Quando escrevi "Os fracos", o livrinho que ninguém leu e nunca foi publicado, não conhecia nenhuma dessas Anas que se juntaram e vêm aqui me assustar, não com o que dizem, mas por todas se chamarem Ana. N'"os fracos", todas as mulheres, menos uma, se chamavam Ana. Começo já a desconfiar das MariAnas, JuliAnas ... Anas, deixem o sobrenome de contato. Senão eu bagunço tudo.


Tá angustiada? Tá se sentindo castigada por algo como o pecado original? Eles já estavam condenado lá no Paraíso - o pecado de não refrear o erotismo foi construir uma civilização que, em certa medida, depende de refrearmos o erotismo. Tem pecado original, não. Tem natureza e sociedade. O castigo para o pecado é não pecar.

Mas se antes do pecado já existia pecado, é como se não existisse. Uma coisa que sempre existiu nunca existiu. Ana, vale dormir, tomar chuva e olhar peixinhos no aquário. E voando. E tudo.


Estou por aqui


Meus amigos são pessoas muito interessantes
(elogio discreto enquanto não tenho o que dizer)


5.5.04


Mundo besta.


Só eu vivo nesse mundo? (2)
No enterro do rapaz que morreu no encontro das torcidas organizadas do Palmeiras e do Corínthians, cantou-se o hino do Corínthians e gritou-se "É campeão" algumas vezes enquanto o caixão tomava seu lugar definitvo.


Só eu vivo nesse mundo?
No rádio: você já viu judeu pobre? Não tem? Judeu é mais esperto. É. Por quê? Porque conhece a numerologia cabalística. Essa ciência ...
[...]
(na mesma emissora, a mesma pessoa, segundos depois): Em alguns dias será realizado o encontro "A bíblia e os extraterrestres" ...


Poemas
O ururau irado tem uma jukebox com poemas lidos pelos próprios autores. (Auden, Bishop, Bukowski, Cummings, Eliot e Pound)


Procuro
Bons substitutos para "concluir", "saber" e "entender" (o que alguém poderia chamar de sinônimos).


.http://www.safcomics.com/printing/Olho.htm

Fez uma volta panorâmica com os olhos. Cercado por olhos imbecis e bons, concluiu fácil que era mau. Pagou ainda muitas revoluções antes de parar de buscar seus olhos nos olhos dos outros.


Sim
Tudo calmo novamente.


4.5.04


Advertência
Isto não é um livro.


Desde ontem meus dedos dão a volta no mundo, por diferentes latitudes. Meus braços se alongaram e minhas mãos se prenderam como raízes. Em todas as latitudes. As terminações nervosas ultra-sensíveis infiltradas em cada quarto. E a dor. A dor em cada músculo. Por favor, não se mexa. Não tropece nos meus dedos. Cada fiapo de mim ressoará o movimento. Tenho que cuidar disso. Não se mexa. Temo que, como no escuro, eu suspeite de algo que não existe apenas porque, se existir, eu saberei. Eu tremerei em dor. Você está parada, não é mesmo? Posso dormir agora?


3.5.04


Surtei (volto amanhã com a programação para toda a família)


O mundo do meu jeito
Pequena, um abraço, pequena. Eu estou respirando, pequena. Fico feliz que você saiba.


O muro (soneto)

Um rapaz barbudo e fedorento
mora num muro na minha rua
do lado de fora, vale dizer,
que dentro ele não cabe

Um vizinho o alimenta todos os dias
com a mesma comida que vai para sua mesa
A empregada recolhe o que sobrou na panela
e leva para o fedorento

Sempre sobra comida
o fedorento agradece enquanto
bebe água na torneira do vizinho

Do lado de fora do muro
não tem chuveiro nem sabonete
Houvesse, arrumaria outro nome pro fedorento


Ele que espere (soneto)

A boca do bicho
eu vi a boca do bicho aberta
A boca comeu o resto
do que sobrou do lixo

O olho do bicho
eu vi o olho do bicho alerta
O olho me viu e nem percebeu
que me odiava

O olho do bicho que come lixo
não vê mais do que
a boca do bicho pode comer

O bicho que come lixo
está lá na porta esperando
eu jogar meus restos para ele


pó de
Guaraná. Muito. Nunca mais dormirei. Não estou apenas acordado. Estou acordado e acho que as coisas estão bem. E melhorando. Escutarei Beatles para sempre. Não preciso mais me alimentar. Isso deve fazer mal. Qual seria o motivo para eu nunca ter escutado sobre os efeitos alucinógenos do guaraná em pó? Conspiração. Certeza.


Admit, it's getting better
Crianças, o show está só começando!


Ainda sobre a alma
Oscar Wilde me mandou este texto num e-mail apoiando o que eu tinha dito aqui no blog:

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa.Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.


2.5.04


10 x 2
Acabou a semana.


.http://asylumeclectica.com/garretdom/death/suicide/charges.htm
Na mesa à frente, restos, pacotes, latas, pratos, panelas e talheres sujos. Levantou-se, caminhou até a pia. Abriu a primeira gaveta e tomou nas mãos a última faca limpa. Afastou-se um passo da pia e rasgou o próprio peito.


1.5.04


http://vanallens.com/exchristian/2002_10_04_archive.php
Arrumou os lençóis limpos, apagou a luz e tentou dormir, mais um vez. Sob a escuridão, acima da cama, para o caso de falhar novamente, uma corda pendia do teto.


With a little help from my friends (v. 1.3)*
*atualização permanente
Movi tudo ali para cima.








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