e X a t o a c i d e n t e
Tony Monti lê, escreve e apaga
2007

Capa de o menino da rosa Capa de O Mentiroso








????




*************** blog novo *************

*** Este blog está em novo endereço ***

*** visite: http://www.tonymonti.wordpress.com ***





3.12.03


Última notícia
Este blogue acabou. Procurei e não encontrei. Vou procurar em outro lugar. Logo, logo, mais um livrinho. Mas blogue, não mais. Um site talvez, um dia. Meu e-mail está ali do lado. Podem deixar mensagens por aqui também. Em uns dias, apago todos os posts.


2.12.03


Escrever não é preciso *texto escrito no sábado passado depois de um telefonema fictício

Acordei com uma idéia que tem me tomado os dias. Faz um ano. Desde então, deixo de fazer muita coisa para escrever, deixei de escrever tudo que não é uma lista enorme de nomes. Parei apenas para este relatório, um texto que escreverei sem pretensões e sem revisões. Preciso escrever uma única coisa. Agora. Não tenho dias para explicá-la. Isso significaria esquecê-la. Comecei com a idéia dos nomes quando, acompanhado de uns amigos muito antigos (Leandro, Adriano e Stanislaw) começamos a contar uns para os outros passagens de nossas vidas anteriores às nossas amizades. Minha pré-história me deixou especialmente perplexo e apaixonado por algumas passagens do que já fui, orgulhoso de mim até, de uma ou outra coisa que poderia ser considerado uma vitória, uma superação. O choro de bêbado não poupou nenhum dos quatro, principalmente o relativo às próprias histórias. Certamente para eles foi o mesmo, as lembranças são acompanhadas de uma parcela emocional invisível que não vem tão crua e viva na narrativa dos outros. A não ser no caso de a narrativa de meus três amigos cachaceiros puxar uma vivência minha. Falávamos do que cada um tinha vivido sozinho, nós que também juntos já vivemos tanta coisa. Daqui a uns anos, lembraremos emocionados desse dia de recordações, juntos.

Depois dos fatos anteriores a quando nos conhecemos, por estarmos os quatro excitadíssimos com as possibilidades de buscar emoções tão cruas em nós mesmos, passamos aos posteriores, mas que vivemos separados. Conheci o Stanis aos sete, o Adriano aos dez e o Leandro aos onze. Já estou ironicamente à beira das lágrimas, como estive por alguns dias depois dessa nossa reunião. Vivemos razoavelmente juntos nossa época libertação em relação à família, boa parte das nossas paixões e das primeiras grandes decepções. A coragem da confissão de um, Leandro certamente, o que primeiro sentiu os efeitos do álcool, foi a coragem e a confiança para as confissões dos outros. Horas.

Dos amigos, os mais antigos que ainda convivem comigo. Lembrei de tanta gente esquecida, dos amigo de antes, de cada vez que me apaixonei. Igual, sou quase o mesmo. Aprendi no máximo a dizer umas coisas. Nem sei se aprendi isso ou desaprendi a não dizer. Os fatos deixo à cumplicidade dos amigos deste dia.

Saí da reunião com a vontade de escrever umas memórias, de rever essa gente toda de que lembrei. Memórias antes dos sessenta é prentensão demais. No dia seguinte foi que acordei tomado por uma idéia mais modesta, a de lembrar do nome de cada pessoa que tivesse me dado uma lembrança boa e escrevê-lo num papel, colocá-lo na internet depois. Para qualquer coisa. Sabe-se lá. Em seguida, faria uma escala de cores e tipos de letras para diferenciar o tipo e a intensidade do relacionamento com a pessoa. Poderia introduzir uma pequena descrição de um fato que valesse a inclusão daquela pessoa na lista. Um ano desde então. Até hoje de manhã, quatro páginas de nomes separados por vírgulas. Publicaria a lista em duas semanas, para simbolicamente fechar este ciclo antes do fim do ano e começar um novo, logo depois das férias em Florianópolis (para onde irei com amigos novos pois os caminhos de cada um dos de antes acabaram nos levando a um convívio apenas discreto). Começaria um livro novo, nunca mais escreveria. Qualquer coisa, mas não a enorme lista que tem tomado (em segredo) muito do meu tempo e da minha disposição. Até hoje às três e quinze da tarde.

Ontem fui a uma festa. Cheguei muito tarde em casa, razoavelmente bêbado. Às três da tarde de hoje, eu dormindo. Tocou o telefone. O que se seguiu me deu exata idéia da única coisa que eu teria para dizer. E não vou. Não vou revelar o mundo assim. Se um dia eu substituir este último parágrafo por fatos e acabar esta história com os detalhes que eu imaginava escrever na descrição de cada pessoa da lista de nomes (que nunca escrevi) é porque passei (novamente) a viver de memória e não da vida. Escrever é bem besta quando se tem o mundo. Para escrever este último parágrafo tive que inventar os anteriores, o que quer dizer que ainda tenho algum gosto pela escrita. E porque escrever apenas algo que resumisse esse último parágrafo resultaria uma frase linda e vazia. Ainda que eu não diga aqui o que tenho para dizer, há a possibilidade de eu ter me traído em alguma entrelinha. Talvez eu acabe este texto daqui a uns trinta anos. Qualquer incoerência neste texto é fruto da incoerência do mundo. E se eu dissesse o que eu sei, estaria mentindo. Mentir é o único jeito de dizer idéias de verdade. Au revoir.


1.12.03


Beatles
O melhor disco dos Beatles, para encerrar a questão, é um que passou pela minha mão outro dia. Rubber Soul e Revolver juntos. E não venham me dizer que um disco com tudo dos Beatles em MP3 seria melhor. Não seria. Ponto.


O meu olhar

(do meu amigo Alberto Caeiro)

O meu olhar azul como o céu
É calmo como a água ao sol.
É assim, azul e calmo,
Porque não interroga nem se espanta ...

Se eu interrogasse e me espantasse
Não nasciam flores novas nos prados
Nem mudaria qualquer cousa no sol de modo a ele ficar mais belo...
(Mesmo se nascessem flores novas no prado
E se o sol mudasse para mais belo,
Eu sentiria menos flores no prado
E achava mais feio o sol ...
Porque tudo é como é e assim é que é,
E eu aceito, e nem agradeço,
Para não parecer que penso nisso...)


2003 acabou
A partir de hoje até o fim do ano só escreverei posts sem sentido, como "heraclito revisited". Só tenho perguntas que não sei formular. Respostas, eu fingirei conseguir apenas no ano que vem.


heraclito revisited - 2003
Tempos de calmaria parecem se aproximar. A disposição que a maré me impõe é a disposição que eu tenho, a maré sou eu. Inspirar e expirar, a onda que me pegou há um ano está voltando para me lembrar de respirar, para me lembrar que uma onda não é o mar. Para me lembrar coisa alguma pois a maré sou eu. Um ciclo inteirinho fechado. A onda que vai é a onda que volta? Um mar ou um rio que só vai? Ou é tudo a mesma coisa, mar e rio sou eu mesmo? Quando eu escrevo coisas assim de modo a ninguém saber do que eu estou falando, há quem prefira. Há quem prefira não saber. Ciclo vai se fechando e eu acho que preciso de outro ponto de vista, um mar que suba helicoidal, de ciclos falsos, mar e rio ao mesmo tempo, que vá e volte ao mesmo tempo que segue apenas um caminho. Qual é a imagem para isso? Uma fórmula matemática?


Mentira, a Clarice não tem nada a ver com isso
Que é que eu faço com isso?








[Powered by Blogger]