e X a t o a c i d e n t e
Tony Monti lê, escreve e apaga
2007

Capa de o menino da rosa Capa de O Mentiroso








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30.8.03


As Letras
Tinha escrito um post enorme, perdi, não vai sair como o anterior.
Os alunos das Letras escrevem mal porque, entre alguns outros motivos, lêem pouco e escrevem pouco. Apenas o óbvio. Os trabalhos de fim de semestre não dizem nada. São textos completamente escolarizados, não são escritos para seduzir, comover, contar, explicar, são escritos para conseguir os créditos das disciplinas. Exceções há. Do mesmo modo, uma boa dissertação de mestrado pode simplesmente ser uma boa coletânea de tudo o que foi dito sobre determinado assunto. Isso ainda está um pouco distante do que eu estou chamando de literatura. Ou da relação mais íntima que eu gostaria de encontrar entre o texto e o autor.

Sem dúvida a tradução (falo com o Mauricio) pode trazer alguma intimidade com o texto, até mesmo em relação ao processo criativo. O mesmo para o texto sociológico, a crítica literária.

Do mesmo modo como o estudante de música, no meu modo de ver as coisas, ganha intimidade com a música quando toca seu instrumento, quando escreve música, o estudante de Letras ganharia intimidade com o texto, escrevendo literatura. Escrevendo como expressão de suas dores e de suas alegrias, sem manter o distanciamento enorme com o que se escreve, distanciamento permitido pelas práticas universitárias a que estou acostumado. Estou pouco interessado na qualidade literária do texto dessas pessoas. Estou interessado na formação do professor de português, na formação do indivíduo. Me divertiria mais com essas pessoas, sabe? Falo de relação emocional com o objeto de trabalho. É como eu vejo a literatura e como vejo as pessoas mais interessantes que conheço. É mais completo.
Vejo essa relação passional (não apenas passional) com o objeto de trabalho como algo necessário. Considero que essa relação poderia ser construída para os estudantes de Letras com o auxílio dos textos literários próprios. Não é o único método, não sei se há método, na verdade. Acho que ajuda. Escrever é difícil. Poucos alunos de Letras sabem intimamente do que eu estou falando.

Ivan, você está lendo isso aqui? Que é que você acha?


Trechinho do Drummond
As crianças olhavam para o céu: não era proibido.
A boca, o nariz, os olhos estavam abertos. Não havia perigo.
Os perigos que Clara temia eram a gripe, o calor, os insetos.
Clara tinha medo de perder o bonde das 11 horas, esperava cartas que custavam a chegar, nem sempre podia usar vestido novo. Mas passeava no jardim, pela manhã!!!
Havia jardins, havia manhãs naquele tempo!!!


Mais sobre a máquina do mundo
Acho que fiquei porfessoral demais em umas mensagens. Não quero ser professoral. Difícil encontrar o tom do blog. Cada um lê o que quiser, certo?! Cada um faz o que quiser, quase certo? Mas eu tenho as minhas preferências e para não ser professoral, prefiro abraço de quem aceita a diferença e percebe que há o infinito entre ele e qualquer outro do que abraço viciado.


29.8.03


O que é Literatura?
Proponho umas questões:
1 - Para que serve a Literatura? Tem um papel social? Como ela se relaciona com os indivíduos?
2 - É comum que estudantes de teatro estudem os clássicos e montem suas próprias peças, escrevam seus roteiros; que estudantes de cinema assistam aos filmes e produzam sua própria obra; o mesmo com as artes plásticas, com a música, etc. Não há, no entanto, uma estrutura organizada nos cursos de Letras para que os alunos produzam sua própria literatura. Eles apenas lêem os clássicos. A literatura parece ser mais distante para os alunos de Letras do que a múscia é para os músicos, do que o cinema para ... Ou não? Vocês não têm a impressão de que escrever a própria literatura ajuda a entender o Literatura como um todo, a ler os textos, a compreender as condições de produção de um texto, a perceber ligações entre o texto e o meio social, entre o texto e o escritor? A ter a literatura mais próxima de si...

Gostaria de aproveitar a página e discutir esses assuntos. Eu escrevo daqui e vocês daí (pelo "diz aí" ou pelo e-mail). Hmm?


Intimidade
Imaginei uma cena.
Um pouco ofegante ainda, deito de costas em uma cama que não é a minha mas é a de alguém. Tombo a cabeça para a esquerda e deixo o ombro direito para a cabeça que se acomoda. À esquerda, seus livros na estante colada à cama, ao alcance da minha mão. Ela me diz, já bem acomodada, "vou dar uma dormidinha". Eu sei que finge dormir, ou mesmo durma, para eu poder olhar seus livros com calma enquanto descansamos.
Cena besta? Para mim, uma das possíveis imagens para um paraíso.


28.8.03


Segunda edição
Acabo de encontrar, depois de quase três meses de editado o livro, o primeiro erro de digitação da primeira edição. Assim, a segunda edição será uma segunda edição revisada. Alguém aí encontrou algum erro?


Novidade
Há agora como ler um dos conto de O Mentiroso, o "mundo animal", pelo link ali na coluna da esquerda.


27.8.03


Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar. (Antonio Machado)


Ainda mais uma palavrinha sobre a Máquina do Mundo
Tem também umas manifestações culturais que carregam em si a diferença, que provocam em vez de engessar nossos valores e nossa maneira de dar significado ao mundo. Fazem do erro, da imprecisão e da dúvida, parte do caminho necessário a sua apreensão. Ajudam na construção da tolerância. Essas são especiais para mim, embora haja outras menos provocativas que também me agradam. (Paro para não ficar teorizando demais)


26.8.03


Caindo na provocação - A máquina do mundo
Motivado por uma mensagem que recebi, quero dizer que não considero herético o ato de ler um texto, seja o texto que for. Prefiro aliás que todos tenham contato com culturas diversas, com diversos modelos de comportamento, formas de expressão etc, seja pela leitura ou por qualquer atividade. É mais razoável, forma gente mais tolerante, mais agradável, mais supreendente. Assim, problemático não é ler determinado tipo de livro mas ler apenas determinado tipo de livro (para o caso dos que lêem. Poderia dizer isso sobre programas de televisão, por exemplo). Para não repetir o pensamento de outros (ou a quase-ausência de pensamento de outros), é preciso comparar os diferentes modos de ver. Para isso a diferença é necessária. O Best Seller (ou a super-produção do cinema, ou...) não é um problema em si enquanto literatura, mas é certamente um problema quando representa o único contato entre boa parte da população e a cultura escrita, a literatura e a fantasia.
(Rodrigo, talvez eu gostasse do livro, se eu o tivesse lido).


Geração (?) 90
Mais ou menos na trilha da recente polêmica sobre a existência ou não de uma nova geração de escritores e, principalmente, sobre a qualidade literária das obras desse pessoal, saiu no último domingo um texto do crítico José Castello no jornal Valor Econômico comparando os escritores dos 70 e os dos 90 (no meio dos quais fui citado apesar de ter lançado meu primeiro livro solo em 2003). O texto é cheio de pequenos depoimentos de gente interessante. Vale a pena dar uma lida.
O Valor Econômico restringe alguns dos textos do site apenas para os assinantes. Quem quiser ler o que o José Castello escreveu pode mandar um e-mail para mim e eu mando o texto.


25.8.03


O Caminho das Pedras
Incrível. Em três dias de blogue, já há o incrível número de duas pessoas querendo comprar O Mentiroso. Como fazer?
Você pode:
1 - Clicar ali na capa do livro e entrar na Livraria Cultura.
2 - Prestigiar a simpática Editora 7 Letras e comprar diretamente com eles.
3 - Mandar um e-mail para mim, com o endereço para a entrega do livro autografado (o pagamento será feito por depósito bancário).
4 - Em livrarias convencionais, dessas onde a gente pode sentir o cheiro dos livros, não está fácil encontrar o livrinho. Aqui em São Paulo, que eu saiba, só na Livraria Cultura. No Rio, me disseram, está um pouco menos raro.


Cores
Que acharam das novas cores da página? Vou mudar ainda mais umas vezes para ver como é que fica. Talvez volte, no fim de tudo, para o amarelo bebê que quase ninguém viu.


Angu do Marcelino



Com alguns anos de atraso, li há algumas semanas o Angu de Sangue do Marcelino Freire. Comi o Angu de uma vez. Recomendo. Nos planos está agora o BaléRalé, o livro mais recente do rapaz.


24.8.03


Deus
Deus tem sido bonzinho comigo. Ele descobriu que, apesar de ateu, sou não-praticante. Uma vez, contei para uma aluna da sexta série que eu era ateu, e usei diretamente a palavra de quatro letras "a-t-e-u". Ela perguntou se eu era anti-cristo. Mas, com doze anos, algumas pessoas ainda conseguem ouvir as outras e ela entendeu que eu não era um cara muito mau. Ela me disse uns dias depois: "acho que tem tanta gente ruim dentro da igreja quanto fora dela" (ela era de dentro e não me pareceu má pessoa). Ficamos amigos até.


23.8.03


Já está na hora... o template não está mais ridículo como estava e acho que o primeiro post pode ser publicado. É isso aí. Primeiro post publicado. Não sei bem sobre o que vou escrever. Escreverei. Veremos.








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